Psiquiatria

Pílula do Dia Seguinte: Entenda Para Que Serve, Como Usar e Principais Riscos Envolvidos

Anticoncepcional de emergência é seguro e eficaz, mas não substitui métodos regulares de prevenção.

Por Redação Brazil Health , 24/08/2025

4 min de leitura

Pílula do Dia Seguinte: Entenda Para Que Serve, Como Usar e Principais Riscos Envolvidos

Pouco discutida fora dos consultórios médicos, a pílula do dia seguinte é um recurso seguro e eficaz em situações de emergência, mas seu uso ainda é cercado de dúvidas e tabus. De acordo com a ginecologista Ana Horovitz, embora o medicamento seja amplamente utilizado, entender seus reais benefícios e limitações é fundamental para uma escolha consciente e responsável.

Mitos e verdades sobre a pílula do dia seguinte

Entre os principais mitos, está o medo de infertilidade. "Não causa infertilidade: o hormônio é eliminado em poucos dias e não altera a fertilidade futura", esclarece a médica. Outro ponto fundamental é que a pílula do dia seguinte não substitui métodos que protegem contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). "Diferente do preservativo, não previne HIV, clamídia ou outras infecções", reforça Horovitz.

Alterações no ciclo menstrual são comuns após o uso. "Atrasos ou adiantamentos de até 7 dias são comuns e não significam dano permanente", detalha a médica, destacando que essas mudanças são temporárias.

Quando usar – e quando evitar

O uso da pílula do dia seguinte deve ser reservado para emergências, como em casos de ruptura do preservativo, esquecimento de três ou mais comprimidos do anticoncepcional ou relação sexual desprotegida.

  • Levonorgestrel 1,5 mg: deve ser tomada até 72 horas após a relação sexual. "A eficácia é muito maior quando usada até 24 horas após o ato; eficácia média de 85%".
  • Ulipristal acetato 30 mg: pode ser usada até 120 horas (5 dias) após o contato, com eficácia de até 95%, porém, atualmente não está disponível no Brasil.

A ginecologista alerta para situações nas quais o uso deve ser evitado: "Evite o uso se você já sabe que está grávida (não há risco, mas também não há benefício); faz uso de medicamentos que reduzem a eficácia hormonal (anticonvulsivantes, certos antirretrovirais, rifampicina); ou tem doença hepática grave".

Além disso, mulheres com IMC igual ou superior a 30 podem apresentar menor eficácia com alguns tipos de pílula do dia seguinte. "Nesses casos, o ulipristal de emergência é uma opção mais segura", indica Ana Horovitz.

Riscos do uso frequente e importância da contracepção regular

Um dos grandes equívocos é considerar que o uso repetido da pílula do dia seguinte traz maior proteção. "Tomar a pílula do dia seguinte várias vezes no mesmo ciclo não eleva a proteção — apenas aumenta efeitos adversos (náusea, dor de cabeça, irregularidade menstrual) e pode mascarar atrasos que dificultam detectar uma gravidez", explica. Além disso, o custo frequente pode superar métodos de longa duração, como o DIU ou implante.

Para evitar emergências, a médica recomenda: "Mantenha um método de rotina adequado ao seu perfil (pílula combinada, minipílula, DIU, implante, injetável ou preservativo); combine preservativo com outro método para dobrar a proteção e evitar ISTs; e converse com o profissional de saúde sobre contraindicações e escolha personalizada".

Em síntese

A pílula do dia seguinte é uma alternativa segura para evitar uma gravidez indesejada após falhas pontuais nos métodos regulares. No entanto, Horovitz destaca que "planejamento, informação e acesso facilitado a contraceptivos de uso contínuo são as melhores estratégias para saúde sexual e reprodutiva sem sustos".

Ana Horovitz Ginecologista e membro da Brazil Health