Psiquiatria

Mioma no útero: quando a cirurgia é necessária e quando dá para só acompanhar

Especialista explica que a decisão não depende apenas do tamanho do nódulo e lista situações em que o monitoramento costuma ser mais seguro do que operar.

Por Redação Brazil Health , 05/06/2026

3 min de leitura

Mioma no útero: quando a cirurgia é necessária e quando dá para só acompanhar

Com estimativa de cerca de 2 milhões de novos casos por ano no Brasil, os miomas uterinos estão entre os achados mais comuns em consultas ginecológicas. Apesar de serem tumores benignos do músculo do útero, o diagnóstico ainda é frequentemente associado, de forma automática, à necessidade de cirurgia – o que pode levar a procedimentos desnecessários.

Segundo o ginecologista Thiers Soares, a indicação de operar deve considerar o conjunto do quadro clínico, e não apenas o que aparece no exame de imagem. “Não operamos exames de imagem, operamos mulheres. O achado isolado de um mioma em uma rotina ginecológica nunca deve ser uma sentença de cirurgia imediata. A indicação cirúrgica depende de sintomas, planos reprodutivos e da localização exata do tumor, e não apenas do seu tamanho”, afirma.

Na prática, o tratamento pode variar do acompanhamento periódico a intervenções cirúrgicas, dependendo de fatores como sintomas, impacto na fertilidade, proximidade da menopausa e preferência da paciente.

Quando, em geral, é possível apenas monitorar

De acordo com o especialista, o acompanhamento costuma ser uma opção quando o mioma não causa sintomas e não traz prejuízos objetivos à saúde ou ao planejamento reprodutivo. Entre os critérios mais comuns para uma conduta conservadora estão:

  • mioma assintomático, sem dor pélvica, sangramento intenso ou pressão abdominal;
  • nódulos pequenos, em geral com menos de 4 centímetros, sem crescimento acelerado;
  • localização que não afeta a cavidade uterina nem comprime órgãos vizinhos;
  • ausência de impacto na qualidade de vida e na rotina;
  • situações em que a cirurgia não traria benefício claro para a fertilidade;
  • proximidade da menopausa, fase em que os miomas tendem a diminuir com a queda hormonal;
  • preferência informada da paciente por evitar cirurgia, com acompanhamento médico regular.

O médico ressalta que a localização do mioma pode ter peso igual ou maior do que o tamanho. Miomas submucosos, por exemplo, situados mais próximos da cavidade uterina, costumam exigir uma avaliação mais cuidadosa por poderem influenciar a fertilidade e o padrão de sangramento, mesmo quando pequenos.

Como é o acompanhamento e o que deve acender alerta

Quando a cirurgia não é indicada, a recomendação é manter um monitoramento periódico, com exame clínico e ultrassonografia; em alguns casos, pode ser solicitada ressonância magnética para detalhar a localização e acompanhar a evolução.

Alguns sinais exigem reavaliação médica mais rápida, como crescimento acelerado do mioma, surgimento ou piora de dor e sangramento, sintomas de compressão de bexiga ou intestino e dificuldade para engravidar ou complicações durante a gestação.

“A medicina entende que o tempo e o monitoramento correto são ferramentas terapêuticas poderosas. Tratar miomas com responsabilidade é saber quando intervir com a máxima precisão tecnológica, e quando ter a sabedoria clínica de apenas acompanhar”, diz Soares.