Psiquiatria

Março Amarelo: por que a endometriose ainda passa despercebida no Brasil

Condição pode afetar 1 em cada 10 mulheres; especialista aponta sinais de alerta e caminhos para diagnóstico precoce

Por Redação Brazil Health , 05/03/2026

2 min de leitura

Março Amarelo: por que a endometriose ainda passa despercebida no Brasil

A endometriose, que pode atingir até 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva segundo estimativas baseadas em dados da Organização Mundial da Saúde, segue pouco reconhecida no país – muitas vezes confundida com cólica menstrual intensa. O atraso no diagnóstico prolonga a dor, pode afetar a fertilidade e compromete a qualidade de vida.

A doença ocorre quando tecido semelhante ao que reveste o interior do útero cresce fora da cavidade uterina, em locais como ovários, intestino ou bexiga, desencadeando inflamação e dor. “A dor incapacitante não deve ser considerada algo comum”, alerta o ginecologista Marcos Tcherniakovsky, diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE).

Sinais que exigem atenção

Os sintomas variam e podem ser incapacitantes. Entre os sinais de alerta, destacam-se:

  • cólica menstrual intensa e persistente;
  • dor pélvica crônica que ultrapassa o período da menstruação;
  • dor durante a relação sexual;
  • desconforto intestinal ou urinário que acompanha o ciclo;
  • dificuldade para engravidar.

Muitas mulheres convivem por anos com esses sintomas sem avaliação adequada, o que agrava o impacto físico e emocional. Segundo Tcherniakovsky, normalizar a dor atrasa a procura por atendimento e adia intervenções que poderiam reduzir danos.

Quando pode surgir

A endometriose está associada ao período reprodutivo – do início das menstruações, ainda na adolescência, até a menopausa. Quanto antes os sinais forem reconhecidos e investigados, maiores as chances de controlar a dor e prevenir complicações.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico precoce depende de escuta qualificada do histórico de dor e de exames indicados por especialistas. O manejo inclui medicamentos para dor, terapias hormonais e, nos casos avançados, cirurgia. “Um acompanhamento clínico multidisciplinar é essencial para reduzir a dor, preservar a fertilidade quando desejado e promover melhor qualidade de vida”, afirma Tcherniakovsky.

Ampliar a conscientização sobre os sintomas e encorajar a busca por avaliação médica – especialmente diante de dor pélvica recorrente e incapacitante – pode encurtar o caminho até o diagnóstico e reduzir o impacto da doença no cotidiano das mulheres.