Psiquiatria

Laser vaginal na menopausa: quando pode ajudar no ressecamento íntimo

Queda do estrogênio pode causar ardor, coceira e dor na relação; procedimento é feito em consultório e exige avaliação ginecológica para ser indicado com segurança.

Por Redação Brazil Health , 28/06/2026

4 min de leitura

Laser vaginal na menopausa: quando pode ajudar no ressecamento íntimo

O ressecamento vaginal é uma das queixas mais comuns após a menopausa e pode ir muito além do desconforto: afeta a autoestima, interfere na vida sexual e impacta o bem-estar. Ardor, coceira, dor durante a relação e pequenos sangramentos estão entre os sintomas que costumam aparecer nessa fase.

Nos últimos anos, além de hidratantes vaginais e terapias hormonais, um recurso tem ganhado espaço nas conversas dentro do consultório: o laser vaginal. O ginecologista Dr. Renato Abreu explica que o procedimento pode ser considerado em casos específicos, desde que haja indicação correta e acompanhamento médico.

A menopausa marca o fim do período reprodutivo, mas suas mudanças não se restringem à interrupção da menstruação. Muitas mulheres convivem por anos com sintomas íntimos sem procurar ajuda, seja por constrangimento, seja por acreditar que “faz parte da idade”. Na prática, trata-se de uma condição frequente e tratável.

Por que o ressecamento aparece na menopausa

A principal razão para a secura íntima é a queda do estrogênio, hormônio que ajuda a manter a mucosa vaginal mais espessa, elástica e bem lubrificada. Com a redução hormonal, a parede vaginal tende a ficar mais fina, menos flexível e mais sensível, quadro conhecido como síndrome geniturinária da menopausa.

Esse processo também pode trazer repercussões emocionais e físicas. Além da dor na relação sexual, algumas mulheres relatam diminuição do desejo e alterações urinárias. “Não é apenas uma questão de incômodo local; os sintomas podem afetar qualidade de vida e relações”, afirma o Dr. Renato Abreu.

Como o laser vaginal atua

O laser vaginal é um procedimento minimamente invasivo, realizado em consultório, que aplica energia térmica controlada na mucosa vaginal. A proposta é estimular a produção de colágeno, melhorar a circulação na região e favorecer a regeneração dos tecidos, o que pode contribuir para mais elasticidade e melhor lubrificação.

Em geral, é um procedimento rápido e, na maioria dos casos, sem necessidade de anestesia, com retorno às atividades cotidianas no mesmo dia. O especialista destaca, porém, que é importante alinhar expectativas: “O laser não repõe hormônios e não substitui o estrogênio; ele atua localmente, buscando melhorar a resposta do tecido”.

Para quem pode ser uma opção e quais cuidados são essenciais

Segundo o Dr. Renato Abreu, o laser pode ser considerado para mulheres na menopausa com sintomas moderados a intensos, especialmente quando:

  • não há boa resposta a hidratantes vaginais;
  • existe contraindicação ao uso de estrogênio local;
  • a paciente não pode ou não deseja fazer terapia hormonal.

Em alguns casos, também pode entrar no radar de mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente, desde que a avaliação seja criteriosa e individualizada.

Ao mesmo tempo, o procedimento não é indicado para todas. Infecções vaginais ativas, lesões suspeitas, sangramentos sem diagnóstico e algumas condições clínicas exigem cautela ou podem contraindicar o laser. Além disso, os resultados variam, e o efeito não é definitivo, podendo ser necessária manutenção ao longo do tempo.

O médico alerta que não se trata de uma solução “milagrosa”. “O laser deve ser visto como ferramenta complementar, e a consulta ginecológica é indispensável para definir a melhor abordagem para cada caso”, destaca.

Falar abertamente sobre saúde íntima na menopausa faz parte do cuidado integral com a mulher. Com orientação profissional, é possível escolher a estratégia mais segura e eficaz, considerando sintomas, histórico de saúde e preferências individuais.