Psiquiatria

Infertilidade cresce e faz aumentar a busca por fertilização em laboratório

Queda na taxa de fecundidade e mudanças no estilo de vida tornam a dificuldade para engravidar um desafio cada vez mais comum e relevante para a medicina

Por Redação Brazil Health , 09/04/2026

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Infertilidade cresce e faz aumentar a busca por fertilização em laboratório

A dificuldade para engravidar deixou de ser uma situação isolada e passou a ganhar escala global. Estimativas da Organização das Nações Unidas indicam que uma em cada seis pessoas no mundo enfrentará problemas de fertilidade ao longo da vida. No Brasil, o cenário segue a mesma tendência: cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva têm dificuldade para conceber.

Para o ginecologista e especialista em reprodução assistida Dr. Dani Ejzenberg, da ENNE Clinic, trata-se de uma mudança significativa no perfil da saúde reprodutiva. “A infertilidade conjugal deixou de ser exceção e hoje deve ser encarada como uma condição de saúde relevante, com impactos físicos, emocionais e sociais importantes”, afirma.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a infertilidade é caracterizada pela ausência de gestação após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de contraceptivos em mulheres com menos de 35 anos. Apesar de ser reconhecida como doença, ainda carrega estigmas, principalmente sobre as mulheres.

Os dados mostram que as causas são distribuídas de forma equilibrada: cerca de 40% têm origem feminina, 40% masculina e 20% envolvem fatores combinados ou desconhecidos. “Por isso, é fundamental que a investigação seja feita sempre no casal, e não apenas na mulher”, reforça o especialista.

Estilo de vida e adiamento da gravidez estão entre os principais fatores

Entre as principais razões para o aumento dos casos está o adiamento da maternidade. Com a priorização da carreira e da estabilidade financeira, muitos casais optam por tentar engravidar mais tarde, quando a fertilidade já está naturalmente reduzida.

Além disso, hábitos contemporâneos também pesam nessa equação. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo e estresse elevado impactam diretamente a capacidade reprodutiva de homens e mulheres.

Outro fator crescente é a influência do ambiente. Poluição, exposição a agrotóxicos e substâncias químicas conhecidas como disruptores endócrinos podem interferir no funcionamento hormonal e comprometer a fertilidade.

Esse conjunto de fatores tem levado a um aumento expressivo na busca por alternativas médicas, como a reprodução assistida e o congelamento de óvulos. “Muitas mulheres têm procurado preservar sua fertilidade para o futuro, diante das incertezas e mudanças no estilo de vida”, explica Ejzenberg.

Fertilização in vitro ganha protagonismo

Nesse cenário, a fertilização in vitro (FIV) se consolida como uma das principais estratégias para contornar a infertilidade. A técnica permite superar diferentes causas do problema e tem apresentado resultados cada vez mais eficazes, impulsionados por avanços tecnológicos e genéticos.

O crescimento da demanda também tem impacto direto na formação médica. A área de reprodução assistida exige profissionais altamente qualificados, capazes de lidar não apenas com aspectos técnicos, mas também com o suporte emocional dos pacientes.

“A jornada do casal costuma ser marcada por ansiedade e frustração, e o acompanhamento humanizado faz toda a diferença durante o tratamento”, destaca o médico.

Diante de uma crise que reflete transformações sociais, comportamentais e ambientais, especialistas defendem a ampliação do acesso ao diagnóstico precoce e aos tratamentos disponíveis. A infertilidade, cada vez mais comum, exige uma resposta estruturada da medicina para atender milhões de pessoas que desejam formar uma família.