Psiquiatria

Hábitos do dia a dia que podem aumentar risco de infecções íntimas nas mulheres

Ginecologista explica como roupas, higiene e automedicação podem desequilibrar a flora vaginal e causar irritações, coceira e corrimento, e orienta quando buscar avaliação médica.

Por Redação Brazil Health , 26/03/2026

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Hábitos do dia a dia que podem aumentar risco de infecções íntimas nas mulheres

Alguns costumes comuns, vistos como “normais” na rotina, podem atrapalhar a saúde íntima e aumentar o risco de infecções e irritações na região genital. O problema, segundo especialistas, é que essas práticas interferem no equilíbrio natural da microbiota e do pH vaginal, abrindo espaço para fungos e bactérias.

Para a ginecologista Marise Samama, fundadora e presidente da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), a falta de orientação ainda pesa. “Muitas práticas são culturalmente aceitas ou até incentivadas, mas nem sempre são seguras para a saúde íntima feminina”, afirma.

Roupas apertadas, protetor diário e pouca ventilação

Entre os comportamentos mais citados está o uso frequente de roupas muito justas, principalmente de tecido sintético. A menor ventilação e o aumento da umidade na região íntima favorecem a proliferação de micro-organismos e podem contribuir para quadros como a candidíase, infecção que atinge grande parte das mulheres ao menos uma vez na vida.

Outro hábito comum é usar protetor íntimo todos os dias. Embora seja associado à sensação de “limpeza”, o produto pode reduzir a ventilação natural e alterar o ambiente da vagina, além de causar alergias em algumas pessoas. “O uso contínuo desses produtos cria um ambiente abafado, o que pode desequilibrar a flora vaginal e facilitar infecções”, diz Samama.

Também entra nessa lista dormir sempre com calcinha, especialmente quando a peça é apertada. A orientação, quando possível, é deixar a região arejada durante a noite para reduzir umidade e desconfortos.

Excesso de higiene e duchas vaginais

Outra armadilha está no excesso de higiene. Lavar a região íntima muitas vezes ao dia ou usar sabonetes inadequados pode remover bactérias protetoras e irritar a mucosa. A recomendação médica costuma ser manter uma limpeza suave, com produtos apropriados, sem “esfregar” ou tentar eliminar odores com substâncias agressivas.

As duchas vaginais, ainda usadas por parte das mulheres, também são desencorajadas por especialistas. A prática pode alterar o pH e remover a proteção natural, elevando o risco de infecções e desequilíbrios da microbiota.

Absorvente por muitas horas e remédios sem diagnóstico

Durante a menstruação, permanecer com o mesmo absorvente por longos períodos pode favorecer irritações e proliferação bacteriana. A orientação mais comum é fazer trocas regulares, em geral a cada quatro horas, ajustando conforme o fluxo.

A automedicação é outro ponto de atenção, especialmente com antifúngicos e antibióticos. Sintomas como coceira e corrimento podem ter causas diferentes, e tratar por conta própria pode mascarar doenças e atrasar o diagnóstico. “Nem toda coceira ou corrimento é candidíase. O uso indiscriminado de medicamentos pode agravar o quadro”, alerta a ginecologista.

Samama também chama atenção para a depilação íntima total e o uso de desodorantes na região genital. Segundo ela, a remoção completa dos pelos pode aumentar atrito, irritação e ressecamento, e produtos perfumados podem causar alergias ou esconder sinais de infecção.

Além dos hábitos locais, fatores como estresse crônico e alimentação inadequada podem reduzir a imunidade e tornar o organismo mais vulnerável a infecções recorrentes. A especialista reforça ainda a importância de consultas periódicas com ginecologista, mesmo sem sintomas. “Não se trata apenas de higiene, mas de um conjunto de hábitos que envolvem alimentação, vestuário, comportamento e acompanhamento médico regular”, afirma.