Psiquiatria

Estudo mapeia câncer de ovário em 16,9 mil prontuários e aponta dor como sinal mais comum

Levantamento em 52 hospitais, entre 2021 e 2025, indica maior concentração de registros entre mulheres de 60 a 79 anos e reforça a dificuldade de reconhecer sintomas que podem se confundir com queixas gastrointestinais ou urinárias.

Por Redação Brazil Health , 03/06/2026

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Estudo mapeia câncer de ovário em 16,9 mil prontuários e aponta dor como sinal mais comum

Um levantamento nacional baseado em prontuários hospitalares identificou 16.943 mulheres com câncer de ovário presente, histórico da doença ou investigação em andamento no Brasil. A análise, feita pela iHealth Clinical Insights, reuniu dados de cerca de 3,1 milhões de pacientes atendidos em 52 instituições de saúde de 15 estados, entre 2021 e 2025.

Considerando o universo de mais de 1,8 milhão de mulheres na base, 0,92% tinham algum registro relacionado ao câncer de ovário. A maior parte dos casos apareceu na faixa de 60 a 79 anos, que concentrou 40,5% dos registros. Em seguida vieram mulheres de 40 a 59 anos (37,2%).

Sintomas mais citados nos registros

Nos prontuários analisados, a dor foi o sintoma mais frequente ao longo da jornada clínica, citada em 69,1% dos registros. Também aparecem edema (31,3%), sangramento (27,3%), falta de ar (24,1%), diarreia (22,6%), presença de líquido no abdômen (21,8%) e constipação (17,7%).

Para o ginecologista e obstetra César Patez, a identificação precoce é um dos principais obstáculos porque os sinais podem ser confundidos com outras condições. “O câncer de ovário costuma representar um desafio porque os sintomas podem parecer inespecíficos e se confundir com alterações gastrointestinais, urinárias ou hormonais. Dor abdominal persistente, sensação de inchaço, alteração intestinal, desconforto pélvico e aumento do volume abdominal não devem ser ignorados, especialmente quando persistem ou mudam o padrão habitual da paciente”, afirma.

Condições associadas e trajetória de tratamento

O levantamento também aponta a presença de outras doenças entre as mulheres identificadas: 44,1% tinham hipertensão, 23% diabetes e 19,3% histórico de tabagismo. Os registros mencionam ainda, com frequência, câncer de mama, ansiedade, anemia e metástases.

Na assistência, a quimioterapia apareceu em 42% dos casos. Exames e procedimentos como tomografia, ultrassonografia, biópsia, laparotomia, histerectomia e mamografia foram recorrentes na trajetória das pacientes, sugerindo uma jornada com múltiplas etapas de investigação e tratamento.

Mitos sobre prevenção e fatores de risco

O ginecologista e obstetra Paulo Noronha chama atenção para confusões comuns sobre prevenção. “Parto normal não é uma vacina contra câncer de ovário, e cesárea não causa câncer de ovário. O efeito protetor observado está mais relacionado ao histórico reprodutivo da mulher, como ter engravidado, ter tido filhos e amamentado, fatores que reduzem o número de ovulações ao longo da vida”, diz.

Ele também ressalta que a imunização contra HPV não tem esse objetivo. “A vacina contra HPV é extremamente importante, mas principalmente para prevenção do câncer de colo do útero e de outros tumores relacionados ao vírus. O câncer de ovário não é considerado um câncer HPV-dependente, então não podemos tratá-la como uma vacina de prevenção do câncer de ovário”, afirma.

Como não existe um exame de rastreamento populacional estabelecido para a doença, como ocorre com o Papanicolau e a mamografia, especialistas recomendam atenção a sintomas persistentes e acompanhamento ginecológico regular. “A principal recomendação é não negligenciar sintomas persistentes e manter acompanhamento ginecológico em dia”, orienta Noronha.