Endometriose: dor forte na menstruação pode indicar doença que atinge intestino e bexiga
Cólicas incapacitantes e sintomas urinários ou intestinais no ciclo menstrual merecem investigação. Em casos avançados, a condição pode exigir avaliação especializada e planejamento cirúrgico para proteger órgãos e fertilidade.
Por Redação Brazil Health , 07/05/2026
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Cólicas muito fortes, dor pélvica que não passa, incômodo durante as relações sexuais e mudanças no intestino ou na urina durante a menstruação não devem ser tratadas como “normais”. Esses sinais podem estar ligados à endometriose, doença que pode levar anos para ser diagnosticada e, em quadros mais complexos, atingir órgãos fora do útero.
De acordo com o Ministério da Saúde, a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo, o que equivale a mais de 190 milhões de pessoas. A pasta também aponta que o intervalo entre o início dos sintomas e a confirmação do diagnóstico pode chegar a sete anos.
No Brasil, cresceu a procura por atendimento no SUS. O Ministério da Saúde registrou aumento de 30% na assistência relacionada ao diagnóstico na Atenção Primária, passando de 115.131 atendimentos em 2022 para cerca de 144,9 mil em 2024.
Quando a doença vai além do útero
Segundo a ginecologista Anne Pereira, do Centro Especializado em Endometriose do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a presença de endometriose em diferentes órgãos pode indicar uma forma mais extensa da doença, com maior impacto na rotina, na qualidade de vida e na fertilidade.
“Na endometriose profunda, a doença pode ultrapassar a região ginecológica e comprometer estruturas como intestino, bexiga e ureter. Isso muda completamente a condução do caso, porque não estamos falando apenas de tratar a dor, mas de entender a extensão da doença, proteger a função dos órgãos envolvidos e planejar uma abordagem segura para cada paciente”, afirma.
Exames e equipe multidisciplinar fazem parte do planejamento
Em quadros avançados, um dos desafios é identificar com precisão os focos da doença e definir o melhor tratamento, que pode incluir cirurgia. Dependendo do comprometimento de órgãos, podem ser necessários procedimentos mais complexos, como retirada de segmentos do intestino ou reconstruções no trato urinário.
“O tratamento precisa ser completo, mas também cuidadoso. Em casos com múltiplos órgãos envolvidos, a cirurgia pode exigir diferentes estratégias no mesmo procedimento. Por isso, a experiência da equipe e a estrutura hospitalar são determinantes para reduzir riscos e garantir uma condução mais segura”, diz a especialista.
O planejamento pré-operatório costuma incluir exames de imagem para mapear a doença, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética da pelve. “Os exames de imagem são fundamentais para que a equipe saiba, antes da cirurgia, quais órgãos podem estar comprometidos e qual será a melhor estratégia para aquele caso”, explica Anne.
Fertilidade também entra na decisão
A preservação da fertilidade pode ser discutida com pacientes que desejam engravidar, levando em conta idade, reserva ovariana e extensão da doença. Em alguns casos, pode ser indicada a preservação de óvulos antes da cirurgia; em outros, a própria cirurgia, quando bem indicada, pode contribuir para melhorar as chances reprodutivas.
“A paciente precisa participar da decisão, entender os riscos, os benefícios e as possibilidades. O tratamento da endometriose não deve olhar apenas para a doença, mas também para os planos de vida, o desejo reprodutivo e o impacto dos sintomas na rotina dessa mulher”, afirma.
Às vésperas do Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, lembrado em 7 de maio, a médica reforça que o principal alerta é não naturalizar a dor. “Dor não é normal. Cólicas incapacitantes, dor durante as relações sexuais e sintomas intestinais ou urinários associados ao ciclo menstrual precisam ser investigados”, conclui.
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