Psiquiatria

Diabetes gestacional atinge 1 em cada 5 gestações no mundo e pode não dar sinais

Condição é a alteração metabólica mais comum na gravidez e pode ocorrer mesmo em mulheres jovens e sem fatores de risco aparentes; exames do pré-natal são a principal forma de identificar o problema.

Por Redação Brazil Health , 26/06/2026

3 min de leitura

Diabetes gestacional atinge 1 em cada 5 gestações no mundo e pode não dar sinais

Uma em cada cinco gestações no mundo foi afetada por hiperglicemia em 2025, segundo o IDF Diabetes Atlas. A maioria desses casos (79,2%) corresponde ao diabetes gestacional, condição que costuma surgir a partir do segundo trimestre e, muitas vezes, não provoca sintomas.

No Brasil, a prevalência estimada de diabetes gestacional é de cerca de 14%, com variações conforme o critério diagnóstico e o perfil das gestantes avaliadas, apontam estudos recentes. O tema ganha destaque no Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho.

Dados internacionais também indicam que o problema não se restringe ao perfil tradicionalmente associado ao risco: 43,5% dos casos globais ocorrem em mulheres com menos de 30 anos. Além disso, o IDF estima que um em cada seis nascidos vivos é impactado por hiperglicemia na gestação.

“Muitas pessoas associam o diabetes gestacional apenas a mulheres com histórico familiar de diabetes ou idade materna acima de 35 anos, mas a condição também pode ocorrer em gestantes mais jovens e sem fatores de risco aparentes. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a realização dos exames recomendados são fundamentais”, afirma a obstetra Rita de Cássia Machado.

Por que o diabetes gestacional preocupa

O diabetes gestacional acontece quando alterações hormonais da gravidez reduzem a ação da insulina, hormônio que controla a glicose no sangue. Com isso, a gestante passa a ter dificuldade para manter o açúcar dentro da faixa considerada adequada.

Sem controle, a condição se associa a complicações para a mãe e o bebê, como maior chance de parto prematuro e de o bebê nascer com peso elevado, além de risco de hipoglicemia no período neonatal. Também aumenta a probabilidade de diabetes tipo 2 no futuro tanto para a mulher quanto para a criança, segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Como é feito o diagnóstico no pré-natal

O rastreamento é realizado por exames solicitados durante o pré-natal, como glicemia de jejum e o teste oral de tolerância à glicose, considerado padrão para diagnóstico. A hemoglobina glicada (HbA1c) pode ajudar na avaliação metabólica, mas tem menor sensibilidade para identificar diabetes gestacional e não substitui o teste oral.

No país, entidades médicas e o Ministério da Saúde discutem a padronização do rastreamento e do diagnóstico desde 2017, com critérios adaptados da Organização Mundial da Saúde às particularidades brasileiras.

O que ajuda a reduzir riscos e por que o acompanhamento não termina no parto

Entre os fatores que elevam o risco estão sobrepeso ou obesidade, idade materna acima de 35 anos, síndrome dos ovários policísticos, histórico familiar de diabetes, sedentarismo e ocorrência em gravidez anterior. Ainda assim, casos podem surgir mesmo sem fatores conhecidos.

Medidas como alimentação equilibrada, atividade física com orientação e controle do ganho de peso podem ajudar, embora nem todos os episódios sejam evitáveis. “Quando identificado a tempo, o diabetes gestacional pode ser controlado com mudanças no estilo de vida e, quando necessário, tratamento médico, reduzindo significativamente os riscos para mãe e bebê”, diz Machado.

Especialistas também reforçam que a normalização da glicose após o parto não elimina a necessidade de acompanhamento, já que o histórico de diabetes gestacional aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.