Psiquiatria

Cicatrizes no útero podem esconder causa de infertilidade; entenda sinais e tratamento

Por Redação Brazil Health , 18/02/2026

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Cicatrizes no útero podem esconder causa de infertilidade; entenda sinais e tratamento

Condição pode passar despercebida e reduzir as chances de gravidez; médico explica sinais, exames e opções de tratamento.

Cicatrizes internas no útero, conhecidas pelos médicos como Síndrome de Asherman, podem permanecer silenciosas por anos e afetar diretamente a fertilidade. “A Síndrome de Asherman é uma condição pouco falada, mas mais comum do que se imagina”, afirma o ginecologista e especialista em Reprodução Assistida Dani Ejzenberg. “O problema é silencioso: muitas mulheres não sentem dor e seguem a rotina normalmente, até perceberem dificuldade para engravidar ou mudanças no ciclo menstrual.”

O que causa as cicatrizes e por que dificultam a gravidez

Segundo o especialista, a principal causa é uma cicatrização exagerada após abortamentos, especialmente quando há infecção ou quando são necessários procedimentos como curetagem ou aspiração intrauterina. Cirurgias dentro do útero, como a retirada de pólipos ou miomas por histeroscopia, também elevam o risco. “Esta cicatrização exagerada ocorre quando surgem áreas de fibrose que reduzem o espaço interno da cavidade uterina e uma redução do fluxo de sangue no local”, explica.

As aderências podem comprometer a camada interna do útero, onde o embrião precisa se fixar. “Essas aderências também podem prejudicar a espessura e a qualidade do endométrio – local no útero onde o embrião precisa se implantar”, diz Ejzenberg. Em quadros severos, a menstruação pode diminuir muito ou até desaparecer, um alerta de que o endométrio perdeu sua função. Além de dificultar a gravidez, a síndrome está associada a abortamentos recorrentes e a complicações na gestação.

Diagnóstico e tratamento: o que funciona

O diagnóstico é feito preferencialmente por histeroscopia, um exame com câmera que visualiza o interior do útero em detalhes. “Esse método é considerado o padrão-ouro por mostrar diretamente as aderências, sua localização e sua extensão”, ressalta o médico. Ultrassom transvaginal e histerossalpingografia podem ajudar, mas nem sempre detectam casos mais sutis.

Há tratamento e, identificado cedo, o prognóstico é melhor. “A histeroscopia cirúrgica é o procedimento mais utilizado para remover as aderências e restaurar o formato da cavidade uterina.” Depois da cirurgia, o uso de hormônios para estimular a regeneração do endométrio e, em alguns casos, um dispositivo intrauterino para evitar que as paredes voltem a grudar fazem parte da estratégia.

Os resultados costumam ser animadores. “A fertilidade pode ser totalmente recuperada quando o tratamento é feito nas fases leves e moderadas da síndrome. Mesmo em quadros mais severos, há melhora significativa, e muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente ou por meio de reprodução assistida.”

Para Ejzenberg, informação e atenção aos sinais fazem diferença. “A Síndrome de Asherman pode ser silenciosa, mas não precisa ser permanente. Reconhecer sinais precoces, investigar alterações menstruais e buscar avaliação especializada após procedimentos uterinos são passos essenciais para proteger a saúde reprodutiva.”