Psiquiatria

Caneta emagrecedora pode levar à flacidez íntima após perda rápida de peso

Especialista diz que a mudança não é efeito direto do remédio, mas da redução de gordura e sustentação dos tecidos; queixas como desconforto e alteração de sensibilidade têm aparecido mais em consultórios.

Por Redação Brazil Health , 19/06/2026

3 min de leitura

Caneta emagrecedora pode levar à flacidez íntima após perda rápida de peso

Medicamentos injetáveis usados para emagrecer, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, têm ajudado pacientes com obesidade ou sobrepeso a perder peso com acompanhamento médico. Mas a perda importante e, em alguns casos, acelerada de gordura corporal pode trazer um efeito pouco comentado: alterações de volume e firmeza também na região íntima feminina.

A ginecologista Bruna Paschoalim, que atua com estética íntima, afirma que o assunto tem chegado com mais frequência ao consultório. Segundo ela, algumas mulheres comemoram o resultado na balança, mas relatam mudanças inesperadas na vulva, como sensação de “esvaziamento”, flacidez e desconforto.

De acordo com a médica, a flacidez não ocorre porque o medicamento age diretamente na vulva ou na vagina. O mecanismo mais comum envolve a redução do volume de gordura e da sustentação dos tecidos, além da capacidade da pele de acompanhar a mudança corporal.

“Quando ocorre uma grande perda de peso, o corpo perde gordura e sustentação de tecidos. Isso pode causar flacidez na região íntima, perda de volume, desconforto estético e até alteração na sensibilidade”, diz Paschoalim.

O que a mulher pode perceber

As queixas variam. Em alguns casos, a preocupação é principalmente estética. Em outros, podem surgir incômodos no dia a dia, como atrito com roupas, desconforto durante a relação sexual ou sensação de diminuição da sensibilidade. A intensidade tende a depender de fatores como idade, genética, quantidade e velocidade do emagrecimento, histórico hormonal, partos anteriores e qualidade da pele.

Por que isso importa

Para a especialista, o tema precisa ser discutido com naturalidade na consulta, sem que isso signifique desestimular o tratamento do excesso de peso. “Isso não é raro. É algo que vem aparecendo cada vez mais no dia a dia, principalmente entre mulheres que tiveram perdas importantes de peso e só depois perceberam mudanças na região íntima”, afirma.

Quando procurar avaliação

O acompanhamento com ginecologista pode ajudar a diferenciar mudanças esperadas de situações que merecem tratamento, especialmente quando há dor, incômodo persistente, impacto na vida sexual ou na autoestima. A avaliação costuma considerar a anatomia, a qualidade do tecido, o grau de flacidez e os objetivos da paciente.

Segundo a médica, existem abordagens voltadas à melhora da qualidade dos tecidos e da sustentação, incluindo opções que estimulam colágeno, mas a indicação depende do exame físico e do tipo de queixa. Nem toda alteração exige intervenção, e a escolha do cuidado deve ser individualizada.

Para especialistas, incluir esse tipo de orientação no acompanhamento do emagrecimento pode evitar que mulheres interpretem o problema como algo “isolado” ou sintam constrangimento para buscar ajuda. Reconhecer possíveis mudanças corporais faz parte de um cuidado mais completo, que envolve saúde, conforto e qualidade de vida.