Ortopedia e Traumatologia

Campanha da SBGG alerta para violências invisíveis contra idosos e como reconhecer

Iniciativa nacional pretende ampliar o entendimento sobre negligência, abuso psicológico e controle financeiro, além de estimular redes de proteção e respeito à autonomia no envelhecimento.

Por Redação Brazil Health , 16/06/2026

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Campanha da SBGG alerta para violências invisíveis contra idosos e como reconhecer

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) lançou uma campanha nacional para chamar atenção para as diferentes formas de violência contra a pessoa idosa, muitas vezes pouco reconhecidas no dia a dia. A iniciativa busca ampliar a capacidade de identificação desses casos e fortalecer uma cultura de cuidado, respeito e proteção, especialmente em ambientes de confiança, como a família e serviços de assistência.

Segundo a entidade, a violência vai além da agressão física, que costuma ser a mais lembrada pela população. Situações como negligência, abandono, violência psicológica, controle financeiro, exclusão social, infantilização e desrespeito à autonomia podem causar sofrimento e agravar a vulnerabilidade de quem envelhece.

A campanha foi desenvolvida por um grupo de trabalho multidisciplinar e prevê, ao longo de um ano, ações educativas conduzidas por seccionais da SBGG em diferentes regiões do país.

Quando o abuso não deixa marcas visíveis

A definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui “qualquer ação ou omissão, única ou repetida, ocorrida em uma relação de confiança e que provoque dano, sofrimento ou angústia”. Na prática, isso significa que o problema pode ocorrer de forma psicológica, patrimonial, institucional ou por negligência, o que contribui para subnotificação e naturalização.

Para Maria Angélica Sanchez, assistente social e especialista em Gerontologia, a violência muitas vezes aparece quando a autonomia do idoso é ignorada. “Falar sobre violência contra a pessoa idosa também é falar sobre cuidado. Muitas vezes, a violência aparece justamente quando deixamos de reconhecer a autonomia, a história e o direito dessa pessoa de participar das próprias decisões”, afirma.

Ela acrescenta que comportamentos violentos podem ser encarados como “normais” dentro das relações de cuidado. “Quando falamos em violência contra a pessoa idosa, muitas pessoas pensam apenas em agressões físicas. Mas ela também está presente na negligência, no abandono, no isolamento social, no controle financeiro e em situações em que a autonomia e a dignidade são desrespeitadas”, diz.

Etarismo e violência estrutural também entram na conta

A SBGG também destaca a violência estrutural, ligada a barreiras sociais, econômicas e institucionais que dificultam o acesso de pessoas idosas a direitos, serviços e oportunidades. Nesse contexto, a discriminação por idade e a exclusão social podem comprometer a qualidade de vida e a cidadania.

Vania Beatriz Herédia, socióloga, professora e pesquisadora, avalia que um obstáculo é reconhecer essas situações. “Ainda é difícil identificar e discutir a violência contra pessoas idosas porque muitos preconceitos relacionados ao envelhecimento continuam profundamente presentes na nossa cultura”, afirma. Para ela, enfrentar o problema inclui combater o etarismo e valorizar autonomia e dignidade: “Precisamos superar a ideia de que determinadas situações são naturais do envelhecimento”.

Rede de apoio e mudança cultural

Com a população brasileira envelhecendo mais rapidamente, a campanha propõe reforçar redes de apoio e proteção e incentivar a convivência intergeracional. “O enfrentamento da violência exige uma mudança cultural. Precisamos fortalecer redes de proteção social, qualificar profissionais, apoiar famílias e construir uma sociedade que enxergue o envelhecimento com mais respeito e responsabilidade coletiva”, conclui Vania.