Teste genético pode ampliar acesso a terapias-alvo no câncer de pulmão, aponta estudo
Análise com mais de 1.500 pacientes sugere que combinar exames de DNA e RNA aumenta a chance de detectar alterações raras e orientar tratamentos mais personalizados, com impacto na sobrevida em casos avançados.
Por Redação Brazil Health , 25/06/2026
3 min de leitura
Um estudo com mais de 1.500 pacientes apresentado no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2026 reforça o papel dos testes genéticos na escolha do tratamento para câncer de pulmão. A pesquisa avaliou como a combinação de sequenciamento de DNA e RNA pode melhorar a identificação de alterações moleculares raras, que ajudam a definir se o paciente pode se beneficiar de terapias-alvo.
Conduzido pelo oncologista Breno Jeha, o trabalho analisou especialmente a detecção de fusões no gene NRG1, alteração associada a tumores mais agressivos, mas que pode ter tratamento direcionado quando o diagnóstico molecular é feito de forma adequada.
DNA e RNA no mesmo exame pode aumentar diagnósticos de alterações raras
Na prática, a proposta é ampliar a capacidade de “encontrar” mudanças no tumor que não aparecem com facilidade em testes tradicionais. A detecção dessas alterações é considerada decisiva porque, em alguns casos, muda totalmente a estratégia terapêutica, substituindo abordagens convencionais por medicamentos desenhados para alvos específicos do câncer.
Dados de mundo real reunidos pela Oncoclínicas&Co indicam que pacientes com câncer de pulmão avançado que passaram por testagem molecular e receberam terapias-alvo tiveram sobrevida mediana superior a 30 meses, resultado descrito como mais alto do que o observado com estratégias não guiadas por biomarcadores.
Inteligência artificial entra no diagnóstico e na análise genética
Além da genômica, o estudo e a estrutura descrita pela empresa apontam a incorporação de inteligência artificial (IA) no diagnóstico e na interpretação de exames. Segundo Rodrigo Dienstmann, diretor da área de Medicina de Precisão da companhia, os dados genômicos vêm se tornando parte central da tomada de decisão clínica. “Hoje, conduzir o tratamento do câncer sem apoio de dados genômicos é ignorar o maior avanço da medicina personalizada da última década. Com essas ferramentas, conseguimos adicionar mais informações ao processo de tomada de decisão clínica”, afirma.
Na patologia digital, a IA também tem sido testada para reduzir falhas de interpretação. Em biópsias de próstata, a tecnologia ajudou a diminuir a taxa de erro diagnóstico de 7% para 4%, de acordo com dados citados no levantamento.
Biópsia líquida pode ajudar a monitorar a doença em alguns casos
O trabalho destaca ainda o uso de exames complementares, como a biópsia líquida, que analisa material genético tumoral a partir de uma amostra de sangue. A ferramenta pode ser usada em contextos específicos para complementar a investigação, monitorar a doença e identificar alterações relacionadas à resistência a terapias-alvo.
“Hoje, a medicina de precisão na oncologia envolve diferentes ferramentas que se aplicam a momentos distintos da doença. O NGS em tecido permanece central para caracterização molecular e definição terapêutica em tumores avançados, enquanto a biópsia líquida vem ganhando espaço como ferramenta complementar”, explica Breno Jeha.
Tags relacionadas: