Angiologia e Cirurgia Vascular

Vitamina D pode influenciar resposta do corpo às bactérias intestinais na DII

Estudo com 48 pacientes com doença de Crohn ou retocolite ulcerativa associou suplementação por 12 semanas a mudanças em marcadores imunológicos e de inflamação, mas ainda sem comprovar causa e efeito.

Por Redação Brazil Health , 17/04/2026

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Vitamina D pode influenciar resposta do corpo às bactérias intestinais na DII

A suplementação de vitamina D foi associada a alterações na forma como o sistema imunológico reage às bactérias do intestino em pessoas com doença inflamatória intestinal (DII), condição crônica que inclui a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Os dados são de um estudo liderado pela Mayo Clinic, publicado na revista científica Cell Reports Medicine.

A DII atinge milhões de pessoas no mundo e, em parte, envolve uma resposta exagerada do sistema de defesa contra microrganismos que normalmente convivem com o organismo sem causar dano. Apesar de muitos tratamentos se concentrarem em reduzir a inflamação, ainda há lacunas sobre como reequilibrar a relação entre imunidade e microbioma intestinal.

“Este estudo sugere que a vitamina D pode ajudar a reequilibrar a forma como o sistema imunológico reconhece as bactérias intestinais”, afirma o gastroenterologista John Mark Gubatan, da Mayo Clinic na Flórida, autor principal da pesquisa. “Esse é um passo importante para entendermos como poderíamos restaurar a tolerância imunológica na DII.”

O que o estudo avaliou

Os pesquisadores acompanharam 48 pessoas com DII que tinham níveis baixos de vitamina D. Elas receberam suplementação semanal por 12 semanas. Antes e depois do período, foram coletadas amostras de sangue e fezes, analisadas com técnicas avançadas de sequenciamento para mapear a interação entre respostas imunológicas e composição do microbioma.

Principais achados e o que eles significam

Após a suplementação, os cientistas observaram aumento de imunoglobulina A (IgA), geralmente ligada a respostas consideradas mais protetoras nas mucosas, e redução de imunoglobulina G (IgG), mais frequentemente associada a processos inflamatórios. Também foram identificadas mudanças em vias de sinalização do sistema imunológico e aumento da atividade de células envolvidas no controle da inflamação.

Além disso, a suplementação foi associada a melhora em índices de atividade da doença e em um marcador fecal de inflamação. Ainda assim, os autores destacam que o trabalho não foi desenhado para provar que a vitamina D, por si só, causou as melhorias observadas.

“Observamos sinais encorajadores, mas este não foi um ensaio clínico randomizado”, diz Gubatan. “Esses resultados precisam ser confirmados em estudos maiores e controlados.”

Orientação: não usar suplemento por conta própria

Os pesquisadores reforçam que pacientes com DII não devem mudar o uso de vitamina D sem orientação profissional. “A vitamina D é amplamente disponível, mas a dose deve ser individualizada, especialmente em pacientes com inflamação crônica”, afirma o médico. “Os pacientes devem sempre consultar sua equipe de saúde.”