Remédios para emagrecer elevam queixas de náusea e intestino preso, dizem gastro
Especialistas relatam aumento de pacientes com desconfortos digestivos durante o uso de agonistas de GLP-1 e reforçam que sintomas persistentes precisam de avaliação médica.
Por Redação Brazil Health , 24/06/2026
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Gastroenterologistas têm observado mais pacientes com queixas digestivas associadas ao uso de medicamentos para perda de peso e controle do diabetes tipo 2, como os agonistas de GLP-1. Entre os relatos mais comuns estão náuseas, constipação, sensação de estômago cheio por mais tempo, refluxo, distensão abdominal e episódios de diarreia.
O tema ganhou relevância com a popularização desse tipo de tratamento, que passou a ser usado também por pessoas fora das indicações médicas formais. Para especialistas, a combinação de acesso ampliado e uso sem acompanhamento tem aumentado a procura por orientação, especialmente nas primeiras semanas de tratamento e durante ajustes de dose.
Por que esses sintomas acontecem
De acordo com a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), muitos desses efeitos estão ligados ao próprio mecanismo de ação da classe, que atua em hormônios envolvidos no apetite e na digestão e pode retardar o esvaziamento do estômago.
“Como consequência, o alimento permanece mais tempo no estômago, aumentando a sensação de saciedade. Esse mecanismo é importante para a perda de peso, mas também explica sintomas como náusea, sensação de empachamento e constipação observados em parte dos pacientes”, afirma Lourianne Cavalcante, médica gastroenterologista vinculada à FBG.
Segundo a especialista, as manifestações costumam aparecer principalmente no início do uso ou quando há aumento da dose. “Em muitos casos, eles diminuem à medida que o organismo se adapta ao medicamento. Ainda assim, sintomas persistentes ou intensos devem ser avaliados por um médico”, diz.
Intestino e microbiota entram no radar
Além dos efeitos mais conhecidos, parte dos usuários relata sensação de digestão lenta, desconforto abdominal, redução importante do apetite e mudanças no hábito intestinal. A intensidade varia entre as pessoas e pode ser influenciada por alimentação, dose e condições pré-existentes.
Outro ponto em investigação é a possível relação entre esses medicamentos e alterações na microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que participa da digestão, da imunidade e do metabolismo. Também estão em estudo hipóteses de coexistência com o supercrescimento bacteriano do intestino (SIBO), condição que pode agravar sintomas gastrointestinais.
“Ainda existem estudos em andamento para compreender melhor como essas მედicações influenciam esse ecossistema, mas é um campo que tem despertado grande interesse da comunidade científica”, afirma Cavalcante.
Risco maior é usar sem orientação
Para a FBG, a principal preocupação atual vai além do desconforto esperado em parte dos pacientes: é o uso do medicamento sem avaliação clínica, sem acompanhamento regular e sem orientação nutricional, o que pode aumentar riscos e dificultar a identificação de efeitos adversos relevantes.
“Esses medicamentos representam um avanço importante no tratamento da obesidade e do diabetes, mas não devem ser utilizados sem acompanhamento médico. A indicação adequada, o monitoramento dos efeitos adversos e a orientação nutricional são fundamentais para garantir segurança e melhores resultados para os pacientes”, conclui a especialista.
A entidade orienta que usuários procurem atendimento médico se houver sintomas digestivos persistentes, dor abdominal importante, vômitos frequentes ou alterações intestinais que afetem a rotina.
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