Angiologia e Cirurgia Vascular

Pílulas contra ressaca mascaram embriaguez e elevam risco ao fígado e estômago

Gastroenterologista alerta que combinações com paracetamol, anti-inflamatórios e cafeína podem agravar lesões e aumentar o risco de intoxicação alcoólica

Por Redação Brazil Health , 02/03/2026

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Pílulas contra ressaca mascaram embriaguez e elevam risco ao fígado e estômago

Comprimidos vendidos como “remédios para ressaca” – geralmente misturas de analgésicos, antiácidos e cafeína – têm sido usados antes ou logo após a bebida com a expectativa de evitar mal-estar. Especialistas alertam, porém, que o efeito pode ser o oposto: além de mascarar sinais de embriaguez, essas combinações podem ampliar danos ao fígado, ao estômago e aos rins.

Para a gastroenterologista Perla Oliveira Schulz Mamone, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a sensação de “proteção” induz muitas pessoas a beber além do limite. “A cafeína, presente em muitas dessas fórmulas, mascara a sensação de embriaguez e o cansaço, aumentando o risco de intoxicação alcoólica grave”, afirma.

Riscos ao fígado e ao estômago

O álcool já exige esforço do fígado para ser metabolizado. Quando associado a certos medicamentos, o impacto se intensifica. “Muitos kits anti-ressaca contêm paracetamol; na presença de álcool, sua metabolização gera compostos tóxicos para o fígado, podendo causar hepatite medicamentosa e, em casos extremos, falência hepática”, diz Mamone.

Outro ponto crítico é o uso de anti-inflamatórios não esteroides, como ácido acetilsalicílico e ibuprofeno. Como a bebida irrita a mucosa gástrica, a combinação aumenta o risco de gastrite, úlceras e sangramentos no trato digestivo. O quadro pode ser agravado pela desidratação típica após beber.

Segundo a médica, os rins também sofrem. “O álcool é diurético; quando há desidratação, o rim já trabalha sob estresse. Acrescentar medicamentos faz o órgão operar em sobrecarga”, afirma.

Não há pílula mágica: como prevenir e aliviar

A ressaca não é uma doença, mas um sinal de que o organismo foi intoxicado e precisa de tempo para se recuperar. “Mascarar a dor não acelera a eliminação do álcool do sangue, apenas abafa os alertas do corpo”, explica a gastroenterologista.

A orientação para reduzir riscos segue princípios conhecidos: intercalar bebida alcoólica e água, fazer refeições antes e durante o consumo e respeitar os próprios limites. Essas medidas ajudam a moderar a quantidade ingerida e a minimizar a desidratação.

No dia seguinte, a recomendação é hidratação abundante, repouso e alimentação leve. Se for necessário, um analgésico de uso habitual pode ser considerado apenas quando o álcool já tiver sido eliminado – nunca de forma preventiva. “Não existe atalho seguro contra a ressaca”, conclui Mamone.