Angiologia e Cirurgia Vascular

Doenças digestivas avançam entre jovens: por que refluxo e gordura no fígado crescem

Refluxo, gordura no fígado e mudanças no intestino têm aparecido mais cedo, em meio a rotina de ultraprocessados, estresse e sedentarismo. Especialista alerta para sintomas que não devem ser normalizados.

Por Redação Brazil Health, 25/07/2026

4 min de leitura

Doenças digestivas avançam entre jovens: por que refluxo e gordura no fígado crescem

Azia frequente, estômago “pesado”, inchaço e alterações no intestino, antes mais associadas ao envelhecimento, têm levado cada vez mais adultos de 20 a 40 anos aos consultórios. Além do desconforto, médicos relatam aumento de diagnósticos precoces de condições como refluxo, gordura no fígado e até alguns tipos de câncer do aparelho digestivo.

Um estudo do Dana-Farber Cancer Institute reforça a tendência ao apontar que pessoas nascidas por volta de 1990 têm duas vezes mais chance de desenvolver câncer de cólon e quatro vezes mais risco de câncer de reto do que aquelas nascidas na década de 1950.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Lucas Nacif, diretor médico da Hepatoclin, a mudança está ligada a fatores do estilo de vida. “Nos últimos anos, percebemos um aumento do número de pacientes jovens com doenças digestivas que antes apareciam mais tardiamente. Isso não significa que essas doenças passaram a ser exclusivas dessa faixa etária, mas mostra que fatores ligados ao estilo de vida estão antecipando o aparecimento de diversos problemas”, afirma.

Sintomas que viram rotina podem atrasar o diagnóstico

Para o especialista, um dos principais problemas é a banalização de sinais persistentes. “Muitos pacientes convivem por meses ou até anos com refluxo, dor abdominal ou alterações intestinais e recorrem apenas à automedicação. O problema é que esses sintomas podem indicar desde inflamações crônicas até doenças mais graves”, diz Nacif.

Ele destaca que parte das doenças evolui de forma silenciosa. Um exemplo é a esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado, que pode não causar sintomas no início. Estimativas citadas pelo médico indicam que cerca de 30% da população adulta brasileira tem o problema, com crescimento também entre adolescentes e jovens, associado a obesidade e consumo frequente de ultraprocessados.

“O grande desafio da esteatose é justamente o fato de ela não apresentar sintomas claros no início. Sem acompanhamento e mudanças de hábitos, esse quadro pode evoluir para fibrose, cirrose, necessidade de transplante e até câncer hepático”, afirma.

O que está por trás do adoecimento mais cedo

Para Nacif, não há um único fator. A combinação de alimentação baseada em ultraprocessados, bebidas açucaradas e refeições prontas pode alterar a microbiota intestinal e favorecer processos inflamatórios no trato digestivo.

O estresse crônico também pesa: a conexão entre intestino e cérebro faz com que ansiedade, privação de sono e sobrecarga emocional influenciem a produção de ácido no estômago e o funcionamento intestinal, aumentando queixas como refluxo, gastrite, diarreia e constipação. Já o sedentarismo, com muitas horas sentado, reduz a motilidade intestinal e contribui para acúmulo de gordura visceral, associada a inflamação que pode afetar fígado, pâncreas e intestino. “Na maioria das vezes, não é um único hábito que leva ao problema, mas a soma de pequenas escolhas repetidas diariamente durante anos”, diz.

Quando procurar avaliação médica

Embora episódios pontuais de má digestão possam ocorrer, o médico recomenda investigar sintomas persistentes e sinais de alerta. Entre eles:

  • azia ou refluxo frequentes
  • dor abdominal recorrente
  • alteração persistente do funcionamento do intestino
  • sangue nas fezes
  • perda de peso sem causa aparente
  • dificuldade para engolir
  • sensação constante de estômago pesado ou inchaço abdominal

O especialista afirma que parte dos casos pode ser evitada com ajustes consistentes no dia a dia, como priorizar alimentos in natura, reduzir ultraprocessados, praticar atividade física, dormir bem, manejar o estresse e evitar automedicação diante de sintomas que não melhoram. “Cuidar do sistema digestivo vai muito além de evitar uma azia depois do almoço. É preservar o funcionamento do organismo como um todo e reduzir o risco de doenças que podem comprometer a qualidade de vida nos próximos 30, 40 ou 50 anos”, conclui.

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