Doença celíaca: 7 mitos e verdades sobre sintomas, diagnóstico e dieta sem glúten
Campanha Maio Celíaco chama atenção para a alta taxa de casos não diagnosticados e para fake news que podem atrasar o tratamento correto.
Por Redação Brazil Health , 15/05/2026
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A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pelo consumo de glúten e pode passar anos sem diagnóstico no Brasil, apesar de afetar milhões de pessoas. Estimativas citadas pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) indicam que cerca de 1% da população mundial convive com o problema; no país, isso pode representar de 2 a 2,5 milhões de pessoas, com até 80% sem saber.
O tema ganha destaque no Maio Celíaco, campanha que busca ampliar a conscientização e combater desinformação sobre alimentação e saúde intestinal. A preocupação, segundo especialistas, é que informações falsas levem à retirada do glúten por conta própria ou à banalização de sintomas que merecem investigação médica.
“A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, centeio, cevada e aveia que danifica o intestino delgado e compromete a absorção de nutrientes”, afirma a gastroenterologista Danielle Kiatkosk, da FBG.
O que é mito e o que é verdade
Entre as dúvidas mais comuns está a ideia de que o problema só aparece em quem tem familiares com diagnóstico. A FBG aponta que existe predisposição genética, mas qualquer pessoa pode desenvolver a condição, e muitos casos são identificados apenas na vida adulta, com maior incidência em mulheres.
Também é falso que “reduzir” o glúten seja suficiente para evitar danos. O tratamento exige exclusão total e permanente do glúten, além de atenção à contaminação cruzada. A entidade reforça que mudar a dieta sem orientação pode atrapalhar a confirmação do diagnóstico.
Por que o diagnóstico pode demorar
Outro mito frequente é que a confirmação é simples e rápida. Na prática, o diagnóstico pode envolver exames de sangue (sorológicos), testes genéticos e, em muitos casos, biópsia do intestino delgado, considerada padrão ouro para confirmação.
“Há uma necessidade urgente de ampliar a conscientização entre médicos sobre a diversidade de manifestações clínicas e a importância dos testes no diagnóstico”, diz Kiatkosk.
Impacto além do intestino
A doença celíaca não se resume a diarreia e desconforto abdominal. Entre possíveis complicações citadas pela FBG estão anemia, osteoporose, enxaqueca, alterações neurológicas como ataxia, dermatite herpetiforme, mudanças menstruais e infertilidade.
Alguns grupos têm risco maior, como parentes de primeiro grau de pessoas com doença celíaca, indivíduos com diabetes tipo 1, outras doenças autoimunes e síndrome de Down. Em mulheres, manifestações podem surgir ou se intensificar durante a gestação e no puerpério.
A entidade também chama atenção para a relação com a saúde mental: ansiedade, depressão, dificuldade de concentração e alterações de humor podem estar associadas. Em alguns casos, há descrição de vínculo com TDAH e transtorno do espectro autista, o que reforça a importância de avaliação médica quando sintomas persistem.
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