Angiologia e Cirurgia Vascular

Cortar glúten sem orientação pode atrasar diagnóstico de doença celíaca

Médicos alertam que retirar pães e massas por conta própria pode mascarar sintomas, gerar exames falsamente negativos e levar a restrições desnecessárias.

Por Redação Brazil Health , 07/05/2026

3 min de leitura

Cortar glúten sem orientação pode atrasar diagnóstico de doença celíaca

Eliminar o glúten da dieta virou prática comum entre pessoas que buscam aliviar desconfortos após comer pães e massas. Especialistas, porém, chamam atenção para um risco pouco discutido: a retirada sem avaliação médica pode esconder sinais clínicos e atrasar o diagnóstico de doenças que exigem tratamento específico, como a doença celíaca.

“O principal problema é o autodiagnóstico. Muitas pessoas retiram o glúten por conta própria ao perceberem sintomas, mas isso pode mascarar sinais clínicos e comprometer a investigação adequada”, afirma Áureo Delgado, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Quando o glúten precisa ser evitado

Segundo os especialistas, a exclusão do glúten costuma ser indicada em situações bem definidas, como doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao trigo não celíaca. Em muitos casos, os sintomas vão além do intestino e podem incluir cansaço, anemia e dor de cabeça, o que dificulta a identificação do problema.

Nem todo mal-estar após consumir alimentos com trigo, porém, tem relação direta com o glúten. “Nem todo desconforto após comer pão ou massa é causado pelo glúten. Outras condições, como síndrome do intestino irritável e intolerâncias alimentares, podem estar envolvidos”, diz Delgado.

Por que não tirar o glúten antes dos exames

Para confirmar ou descartar doença celíaca, é necessário que a pessoa esteja consumindo glúten regularmente no período de investigação. Isso porque os principais testes usados na prática clínica dependem da reação do organismo à proteína.

Entre os exames mais utilizados estão a sorologia (pesquisa de anticorpos no sangue) e a endoscopia com biópsia do intestino delgado. Com a retirada prévia do glúten, os resultados podem se tornar inconclusivos ou até falsamente negativos.

“Retirar o glúten antes da avaliação pode atrasar o diagnóstico por meses ou anos, além de exigir reintrodução dessa proteína para refazer os exames, o que pode ser desconfortável para o paciente”, alerta o especialista.

Subdiagnóstico e riscos da restrição sem necessidade

A doença celíaca afeta cerca de 1% da população mundial, segundo a World Gastroenterology Organisation, mas ainda é considerada subdiagnosticada no Brasil, em parte pela variedade de sintomas e pela baixa suspeita clínica.

Além de atrapalhar a investigação, cortar o glúten sem orientação pode levar a deficiências nutricionais, principalmente de fibras, ferro e vitaminas do complexo B, além de aumentar o custo da alimentação e manter a pessoa em uma falsa sensação de controle do problema sem um diagnóstico confirmado.

A orientação, segundo Delgado, é procurar atendimento antes de fazer mudanças radicais na dieta. “Qualquer mudança alimentar deve ser baseada em diagnóstico. O caminho seguro é procurar avaliação médica, investigar corretamente e só então definir a conduta”, afirma.