Angiologia e Cirurgia Vascular

Canetas para emagrecer mexem no intestino e exigem atenção a náuseas e outros efeitos

Remédios como semaglutida e tirzepatida ajudam a perder peso ao atuar no eixo intestino–cérebro, mas podem causar sintomas digestivos e precisam de acompanhamento médico, especialmente quando usados fora da indicação.

Por Redação Brazil Health , 14/05/2026

3 min de leitura

Canetas para emagrecer mexem no intestino e exigem atenção a náuseas e outros efeitos

Medicamentos injetáveis conhecidos como “canetas para emagrecer” vêm mudando o tratamento da obesidade ao atuar diretamente no sistema digestivo, mecanismo ligado tanto à perda de peso quanto a efeitos colaterais gastrointestinais. O alerta é da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), que recomenda vigilância clínica durante o uso.

Estudos com fármacos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida mostram reduções médias que vão de cerca de 8% a mais de 20% do peso corporal, patamar que, até poucos anos, era mais associado à cirurgia bariátrica. Para a FBG, o resultado está ligado ao modo como essas drogas interferem na comunicação entre intestino e cérebro.

“Estamos diante de uma mudança importante: o tratamento da obesidade passou a atuar diretamente no funcionamento do trato gastrointestinal. Isso exige acompanhamento médico rigoroso, porque os efeitos vão além da perda de peso”, afirma o gastroenterologista Áureo de Almeida Delgado, presidente da FBG.

Por que o intestino entra no centro do tratamento

Segundo a entidade, essas medicações imitam a ação do GLP-1, um hormônio produzido no intestino que sinaliza saciedade ao cérebro. Na prática, elas podem retardar o esvaziamento do estômago, diminuir a motilidade intestinal e modular o eixo intestino–cérebro, o que ajuda a reduzir a fome, mas também favorece sintomas digestivos, sobretudo no início do tratamento e durante ajustes de dose.

Efeitos adversos mais comuns e possíveis riscos

Os eventos colaterais relatados com mais frequência são náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Em ensaios clínicos, como os estudos do programa STEP publicados no New England Journal of Medicine, a ocorrência de náuseas aparece em uma parcela relevante dos pacientes, variando aproximadamente de 20% a 40%, dependendo do medicamento e da dose.

Em menor proporção, há registros de complicações como cálculos biliares e gastroparesia, condição em que o esvaziamento do estômago permanece lento de forma persistente. A possível ligação com pancreatite aguda grave ainda está em investigação, conforme apontado no material divulgado pela federação.

Uso estético e interrupção preocupam especialistas

A FBG também chama atenção para o aumento do uso fora das indicações clínicas, muitas vezes motivado por objetivos estéticos. “O uso precisa ser individualizado e baseado em critérios clínicos. Não se trata de uma solução estética simples, mas de uma intervenção médica com impacto direto no sistema digestivo”, reforça Delgado.

Outro ponto levantado é o risco de recuperar peso após interromper a medicação, o que sugere dependência do uso contínuo e de mudanças consistentes no estilo de vida para manutenção do resultado.

Para a entidade, essas terapias devem fazer parte de um plano de cuidado mais amplo, com acompanhamento médico, orientação nutricional e monitoramento dos efeitos gastrointestinais ao longo do tratamento.