Gastrite atinge 7 em cada 10 brasileiros e pode virar úlcera e câncer de estômago
Levantamento aponta grande volume de casos no Sudeste e Nordeste; especialistas alertam para diagnóstico e tratamento corretos.
Por Redação Brazil Health , 06/11/2025
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Sete em cada dez brasileiros convivem com algum tipo de gastrite, segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia. Entre 2019 e 2023, foram mais de 59 milhões de internações por gastrite e duodenite no país, com maior concentração no Sudeste e no Nordeste, aponta publicação científica nacional.
A gastrite é a inflamação da camada que protege o estômago do próprio ácido. “Quando essa barreira é agredida por infecções, certos medicamentos ou hábitos nocivos, o estômago fica vulnerável e inflama”, explica a gastroenterologista Patrícia Almeida, doutora pela USP. A infecção pela bactéria Helicobacter pylori é a causa mais frequente, mas consumo de álcool, tabagismo e uso prolongado de anti-inflamatórios também têm peso.
Para a médica, a automedicação é um erro comum. “Antiácidos aliviam momentaneamente, mas não tratam a origem do problema. Podem mascarar doenças mais graves e atrasar o diagnóstico”, alerta.
O que é e por que acontece
A mucosa gástrica atua como escudo contra a acidez da digestão. Quando essa proteção se rompe, surge a inflamação. Além da H. pylori e dos remédios, dieta desregulada, estresse mal controlado e excesso de bebidas alcoólicas favorecem crises e piora dos sintomas.
Sinais que pedem atenção
Queimação, dor na “boca do estômago”, azia, empachamento, náuseas e arroto frequente são queixas comuns. Procure atendimento se houver vômito com sangue, fezes escuras, perda de peso sem explicação ou dor intensa e persistente, especialmente em pessoas idosas ou que usam anti-inflamatórios com frequência.
“Na maioria dos casos há controle e até cura, desde que o tratamento seja iniciado cedo e acompanhado por médico”, reforça Almeida.
Mitos e verdades sobre a gastrite
Entender o que piora ou alivia a dor ajuda a evitar recaídas e escolhas equivocadas no dia a dia.
- Estresse não é a única causa: ele agrava, mas a origem costuma envolver bactéria, remédios, álcool e alimentação inadequada.
- Café não é proibido para todos: alguns toleram bem; observe a reação do seu organismo.
- Leite não resolve: pode aliviar na hora e piorar depois ao estimular mais ácido.
- Antiácidos não curam: apenas aliviam sintomas e podem adiar o diagnóstico correto.
- H. pylori é causa importante: sem tratamento, pode levar a inflamação crônica, úlceras e elevar o risco de câncer gástrico.
- Anti-inflamatórios por longos períodos lesionam a mucosa e aumentam risco de sangramento.
- Frituras, álcool e ultraprocessados irritam o estômago; prefira refeições leves, naturais e em horários regulares.
Tratamento e prevenção
O cuidado passa por erradicar a bactéria quando presente, ajustar medicamentos, reduzir álcool e tabaco e adotar uma rotina alimentar equilibrada. “Mais do que tomar remédios, é mudar o estilo de vida e seguir a orientação médica. Assim, o paciente recupera a qualidade de vida e evita complicações”, conclui a gastroenterologista.