Medicina do Esporte

Pesquisa da USP vai acompanhar pessoas com Parkinson para prever risco de quedas

Estudo quer identificar sinais motores e cognitivos ligados à perda de equilíbrio e apoiar ações preventivas antes de quedas e fraturas.

Por Redação Brazil Health , 24/06/2026

3 min de leitura

Pesquisa da USP vai acompanhar pessoas com Parkinson para prever risco de quedas

Um estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) vai acompanhar pessoas com doença de Parkinson para identificar fatores que antecedem a perda de equilíbrio e aumentam o risco de quedas. A proposta é encontrar sinais precoces que ajudem profissionais e pacientes a agir antes de episódios que podem levar a fraturas e perda de autonomia.

A pesquisa é conduzida pela fisioterapeuta Erica Tardelli, presidente da Associação Brasil Parkinson (ABP) e doutoranda no Programa de Ciências da Reabilitação da USP. O foco é avaliar o chamado equilíbrio dinâmico, ligado ao controle do corpo durante atividades comuns do dia a dia, como caminhar, virar e mudar de posição.

Segundo a pesquisadora, o objetivo é entender se o declínio desse equilíbrio está mais associado a alterações motoras ou a fatores cognitivos. “O objetivo é encontrar marcadores simples e acessíveis que permitam identificar precocemente quem tem maior risco de queda, possibilitando intervenções antes da perda de autonomia”, afirma.

A discussão ganha relevância diante do avanço do Parkinson no mundo. Estimativas citadas no material do estudo apontam que, no Brasil, o número de pessoas vivendo com a doença pode superar 1,2 milhão até 2060. Embora o tremor seja o sinal mais conhecido, alterações de sono, humor, intestino e cognição podem surgir anos antes do diagnóstico, quando a perda de células relacionadas à dopamina já é significativa.

Quedas são frequentes e podem ter consequências graves

Dados reunidos pela ABP indicam que cerca de 60% das pessoas com Parkinson sofrem quedas, e que dois terços têm episódios recorrentes. O material também aponta que a incidência seria aproximadamente o dobro da observada em idosos sem a doença e que o risco de fratura de quadril pode ser até quatro vezes maior.

Além dos danos físicos, o medo de cair pode reduzir a mobilidade e favorecer isolamento social, com impacto direto na qualidade de vida e possível piora dos sintomas.

Da reação à prevenção

Para Tardelli, a pesquisa busca contribuir para uma mudança de abordagem no cuidado. “Hoje, muitas intervenções começam apenas depois da queda. A proposta é atuar de forma preventiva, antes que o impacto aconteça”, diz.

Papel de entidades no apoio à pesquisa

A Associação Brasil Parkinson afirma que o estudo também reforça o papel de instituições voltadas a pacientes na produção e disseminação de conhecimento científico sobre a doença, com potencial de orientar estratégias de prevenção e reabilitação.