Medicina do Esporte

Junho Verde: como identificar escoliose cedo e evitar piora em crianças e adolescentes

Mês de conscientização chama atenção para sinais discretos da curvatura na coluna e para a busca de famílias por acompanhamento especializado e tratamentos menos invasivos.

Por Redação Brazil Health , 12/06/2026

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Junho Verde: como identificar escoliose cedo e evitar piora em crianças e adolescentes

A escoliose, curvatura anormal da coluna, vem deixando de ser vista apenas como uma “questão de postura” e ganhando espaço no debate sobre saúde infantil e do adolescente. O motivo é direto: quando o problema é reconhecido cedo, aumentam as chances de controlar a evolução e reduzir impactos na rotina, na autoestima e na qualidade de vida.

Junho é marcado internacionalmente como Junho Verde, o mês de conscientização sobre a escoliose, e reforça a importância do diagnóstico precoce. Dados citados pela Sociedade Brasileira de Coluna apontam que cerca de 6 milhões de brasileiros convivem com algum grau da condição. A forma mais comum é a escoliose idiopática do adolescente, que costuma surgir entre 10 e 18 anos, período de crescimento acelerado.

Estimativas baseadas em critérios da Scoliosis Research Society indicam que entre 2% e 4% de crianças e adolescentes podem apresentar esse tipo de escoliose.

Sinais que podem passar despercebidos

Em muitos casos, os sinais são discretos e aparecem no dia a dia: diferença na altura dos ombros, assimetria do tronco, roupas que “entortam” no corpo ou dores frequentes nas costas. A dificuldade, segundo especialistas, é que esses indícios podem ser confundidos com hábitos posturais ou mudanças típicas do estirão.

Pedro Gurgel, fisioterapeuta e gestor na área de equipamentos e dispositivos médicos, afirma que o atraso na identificação ainda é um desafio. “Muitas famílias só descobrem quando a curvatura já avançou. No início, os sinais podem parecer apenas uma questão de postura ou fase de crescimento. O problema é que a escoliose tende a evoluir justamente durante o desenvolvimento do adolescente”, diz.

Tecnologia no acompanhamento e na tomada de decisão

Nos últimos anos, clínicas e hospitais têm ampliado o uso de ferramentas para detectar e acompanhar a evolução da curvatura com mais precisão. O movimento inclui recursos como escaneamento corporal, impressão 3D, softwares de análise e aplicações de inteligência artificial, além de dispositivos personalizados.

Na avaliação de Gurgel, a busca das famílias também mudou: além de tratar, elas querem respostas mais rápidas, previsibilidade de evolução e menor impacto na vida escolar e social. “O comportamento das famílias mudou muito. Hoje existe pesquisa, comparação, interesse por novas tecnologias e preocupação com qualidade de vida no longo prazo”, afirma.

Por que a conscientização importa

Para especialistas, a mensagem central do Junho Verde é que reconhecer cedo não significa “medicalizar” o adolescente, mas ganhar tempo para acompanhar, orientar e definir condutas com menos risco de intervenções mais complexas no futuro. “Quando o diagnóstico acontece cedo, o paciente ganha tempo, alternativas de tratamento e qualidade de vida. Em muitos casos, isso evita procedimentos mais complexos no futuro e reduz impactos emocionais justamente em uma fase muito sensível da vida”, conclui Gurgel.