Fimose

Internações por Fimose Entre Meninos de 10 a 19 Anos Sobem Mais de 80% em Uma Década

Número de casos cresce nas faixas de 10 a 19 anos, apontando para a necessidade de acompanhamento médico desde a infância.

Por Redação Brazil Health , 21/09/2025

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Internações por Fimose Entre Meninos de 10 a 19 Anos Sobem Mais de 80% em Uma Década

As internações por fimose entre meninos de 10 a 19 anos aumentaram 81,58% na última década, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), baseado em dados do Ministério da Saúde. O crescimento acendeu um alerta entre especialistas: o diagnóstico do problema está acontecendo cada vez mais tarde, o que pode trazer complicações para a saúde dos jovens.

A questão chama a atenção na 8ª edição da campanha #VemProUro, promovida pela SBU, que incentiva os adolescentes a procurarem o especialista com regularidade. "Enquanto os dados nos mostrarem que as meninas adolescentes vão muito mais ao médico que os meninos, vamos continuar realizando o #VemProUro. O cuidado com a saúde tem que se tornar um hábito desde a infância e adolescência," afirma o Dr. Luiz Otavio Torres, presidente da SBU.

Entre 2015 e 2024, o número de internações por fimose, parafimose e prepúcio redundante passou de 10.677 para 19.387 na faixa de 10 a 19 anos. Na subdivisão etária de 10 a 14 anos, o salto foi ainda maior: 87,7% de aumento. Já no grupo entre 15 e 19 anos, o crescimento foi de 70% ao longo do período. De acordo com a SBU, o intervalo mais indicado para o tratamento da fimose é ainda na infância, entre três e nove anos, período em que a recuperação é mais fácil e os riscos de complicações são menores.

A fimose consiste na dificuldade de expor a glande devido ao estreitamento do prepúcio. Na infância, a condição costuma se resolver espontaneamente até os três anos, mas, após essa idade, recomenda-se o início do tratamento, que pode ser por pomadas ou cirurgia. Sem o acompanhamento adequado, o quadro pode evoluir para infecções, dor, problemas nas relações sexuais, além de aumentar o risco de infecções sexualmente transmissíveis e até câncer de pênis.

"A recomendação é que o diagnóstico da fimose e a cirurgia, quando necessária, sejam realizados ainda na infância. Na adolescência, o procedimento pode gerar mais repercussões, como recuperação mais demorada e desconforto na ereção espontânea," destaca o Dr. Daniel Suslik Zylbersztejn, diretor do Departamento de Urologia do Adolescente da SBU.

Segundo o Ministério da Saúde, meninas de 12 a 19 anos têm quase 2,5 vezes mais consultas médicas do que meninos, e a busca pelo ginecologista é 18 vezes maior do que a procura dos meninos pelo urologista no mesmo período. Para a Dra. Karin Jaeger Anzolch, diretora de comunicação da SBU, a falta de informação e acompanhamento coloca adolescentes em risco desnecessário: "Esses números revelam muito mais do que estatísticas: representam meninos e famílias que poderiam ter evitado complicações com informação adequada e acompanhamento médico no tempo certo."

  • dor ou dificuldade para expor a glande;
  • frequência de infecções locais;
  • inchaço ou vermelhidão no pênis;
  • complicações em relações sexuais futuras;
  • maior risco para infecções sexualmente transmissíveis;
  • risco aumentado para o câncer de pênis.

O tratamento pode ser com o uso de pomadas à base de corticoide ou com a cirurgia chamada postectomia, recomendada principalmente nos casos em que não há resposta ao tratamento clínico. O procedimento dura cerca de uma hora e a recuperação completa leva, em média, três a quatro semanas.

A SBU reforça que a prevenção começa com visitas regulares ao consultório médico, orientação familiar e campanhas educativas, para garantir que a saúde do adolescente seja vista com o cuidado e seriedade necessários.