Felicidade

Por que somos infelizes? Livro propõe nova visão de felicidade

Obra de Marcelo Perine, lançada pela PUCPRESS, defende a felicidade como prática em constante construção e dialoga com tradições filosóficas para responder às inquietações atuais.

Por Redação Brazil Health , 28/01/2026

2 min de leitura

Por que somos infelizes? Livro propõe nova visão de felicidade

O filósofo Marcelo Perine lança Felicidade Prisioneira: Ensaio de Filosofia Moral, pela PUCPRESS, com uma proposta direta ao leitor comum: pensar a felicidade menos como um ponto de chegada e mais como um exercício contínuo. A reflexão mira quem busca lidar com frustrações, finitude e pressões por desempenho – marcas do nosso tempo.

Ao discutir a raiz do descontentamento, Perine afirma que a infelicidade aparece quando falhamos na realização de interesses e desejos legítimos e quando nos confrontamos com nossa condição finita. “Somos infelizes porque podemos fracassar na realização de nossos interesses […] e porque somos e sabemos que somos finitos, contingentes, mortais”, diz o autor.

Felicidade como prática, não como ponto final

No centro do livro está a ideia de que a felicidade não precisa estar “concluída” para ter valor. Perine propõe entendê-la como prática inventiva e aberta, que se renova a partir da consciência de limites e escolhas. A expressão “contentamento na liberdade” resume, segundo ele, um horizonte possível – distante de promessas utilitaristas e da cultura da performance.

Para ilustrar essa perspectiva, o autor recorre à imagem das esculturas inacabadas de Michelangelo: mais do que um acabamento perfeito, importa o sentido que emerge do gesto em processo. A felicidade, sugere, ganha forma na própria construção de vida moral.

Diálogo com a tradição filosófica

Professor associado da PUC-SP, Perine revisita pensadores clássicos e modernos para sustentar sua tese. O percurso vai de Aristóteles – com a vida boa ligada às virtudes e à razão – a Kant e seu foco no dever, passando por Hans Jonas e Eric Weil, que introduzem responsabilidade e a ideia de “dever de ser feliz”.

Sem recorrer a jargões, o ensaio procura integrar esses referenciais a dilemas atuais, como a busca de sentido em meio a expectativas de produtividade e sucesso. O resultado é um convite à reflexão ética acessível, que evita receitas prontas e aposta na construção de uma “moral viva”, ajustada à experiência concreta de cada pessoa.

Felicidade Prisioneira chega ao catálogo da PUCPRESS com o objetivo de ampliar o debate público sobre bem-estar e responsabilidade individual, aproximando a filosofia da vida cotidiana sem perder o rigor do argumento.