Excesso de Telas

Uso Excessivo de Telas Aumenta Risco de Depressão, Autolesão e Suicídio em Jovens

Hiperexposição a redes sociais intensifica vulnerabilidades emocionais e preocupa especialistas em saúde mental infantojuvenil.

Por Redação Brazil Health , 05/09/2025

3 min de leitura

Uso Excessivo de Telas Aumenta Risco de Depressão, Autolesão e Suicídio em Jovens

O tempo cada vez mais prolongado em frente a telas e redes sociais tem acendido um alerta vermelho entre pais, educadores e profissionais de saúde. Estudos recentes indicam que a exposição descontrolada a dispositivos digitais está fortemente associada a problemas emocionais sérios, como depressão, autolesão e comportamentos suicidas em adolescentes brasileiros.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar revelam que quase um terço dos estudantes entre 13 e 17 anos relatam sentir tristeza persistente e insatisfação com a própria vida. O suicídio já se configura como a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil. Entre 2010 e 2019, os casos entre adolescentes de 15 a 19 anos aumentaram 81%, enquanto entre menores de 14 anos o salto foi de 113%.

Comparação social e cyberbullying agravam sintomas

Os riscos vão além do tempo de uso. Fatores como comparações constantes com colegas nas redes, episódios de cyberbullying, isolamento social e contato com conteúdos sobre autolesão criam um ambiente propício ao sofrimento psicológico. Pesquisas apontam que mais de duas horas diárias em redes sociais são suficientes para elevar os sintomas depressivos, principalmente entre meninas e adolescentes mais jovens.

“As telas são parte do cotidiano e não podem ser vistas apenas como vilãs. Mas quando o uso passa de duas horas por dia em redes sociais, já identificamos aumento nos índices de depressão e nos comportamentos suicidas. O efeito é ainda mais intenso em adolescentes mais jovens, com baixa autoestima ou em situação de vulnerabilidade emocional”, afirma o neurologista infantil Dr. Marcelo Masruha.

Qualidade do uso influencia impacto na saúde mental

  • tempo excessivo em jogos e conversas online está ligado a maior risco de depressão
  • busca de informações e aprendizado virtual pode trazer benefícios acadêmicos e sociais
  • cyberbullying tem forte relação com sintomas depressivos e ideação suicida

Estudos também sugerem que a forma como os jovens utilizam a internet faz diferença: enquanto o uso focado em aprendizado pode ser positivo, atividades voltadas ao entretenimento ou redes sociais sem supervisão elevam os riscos.

Para enfrentar o problema, especialistas recomendam o estabelecimento de limites para o tempo de tela, incentivo a atividades offline e monitoramento parental próximo. “A qualidade do uso é tão importante quanto o tempo de exposição. A tecnologia pode ser uma ferramenta de aprendizado, conexão e bem-estar, mas sem supervisão e diálogo familiar ela se transforma em um fator de risco para a saúde mental”, complementa Masruha.

Campanhas educativas e diálogo aberto entre escola, família e adolescentes são considerados fundamentais para mitigar os impactos do uso excessivo das telas.