Estrabismo

Estrabismo em Crianças Pode Sinalizar Doenças Neurológicas e Exige Tratamento Precoce

Condição comum pode causar perda permanente de visão; detecção precoce muda o prognóstico.

Por Redação Brazil Health , 04/11/2025

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Estrabismo em Crianças Pode Sinalizar Doenças Neurológicas e Exige Tratamento Precoce

O desalinhamento dos olhos, conhecido popularmente como “olhos tortos”, é frequente na infância e pode trazer consequências duradouras se não for tratado cedo. O alerta é do oftalmologista Galton Carvalho Vasconcelos, do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.

“Entre o nascimento e os sete anos, o cérebro está ‘aprendendo a ver’. Se o desalinhamento não é corrigido nesse período, o cérebro passa a ignorar a imagem de um dos olhos, o que pode levar à ambliopia, uma perda funcional e permanente da visão”, explica o médico.

Segundo o especialista, o estrabismo está entre as principais causas de perda visual evitável na infância. Além da visão, a condição afeta a noção de profundidade e a coordenação olho-mão, com reflexos no aprendizado e na prática de esportes.

O impacto vai além da saúde ocular. “Crianças com estrabismo podem sofrer isolamento e bullying desde cedo. Isso fere a autoimagem e a autoestima e pode até influenciar a empregabilidade na vida adulta, especialmente entre mulheres, que enfrentam maior pressão estética”, afirma Vasconcelos.

Quando o quadro é diagnosticado após os sete anos, podem surgir visão dupla e confusão visual, o que atrapalha leitura, estudo, trabalho e até a direção de veículos.

Sinais de alerta e quando procurar ajuda

Pais e cuidadores devem observar mudanças no olhar e não esperar que “vá passar sozinho”. A orientação é buscar avaliação ao notar:

  • fechamento frequente de um olho, sobretudo em ambientes muito iluminados
  • dificuldade de foco ou queixa de visão borrada
  • olhos apontando para direções diferentes, mesmo que de forma intermitente

“O exame oftalmológico completo é essencial, e o teste do olhinho, feito na maternidade, pode indicar indícios de desalinhamento. O acompanhamento com o oftalmologista pediátrico é fundamental”, reforça o médico.

Causas, tratamento e prognóstico

O estrabismo pode ter múltiplas origens, como herança genética, erros de refração (miopia, hipermetropia), inflamações oculares ou alterações anatômicas. “Como os olhos estão conectados diretamente ao cérebro, o desalinhamento pode sinalizar também alterações neurológicas, endocrinológicas, traumas ou até tumores. Em alguns casos, é a primeira pista de um problema maior”, alerta Vasconcelos.

O tempo é decisivo. “Quanto antes identificamos o estrabismo, maiores são as chances de alinhar os olhos e recuperar a visão binocular, aquela visão tridimensional que dá noção de profundidade”, acrescenta.

As abordagens variam conforme a causa e a idade, e o plano de cuidado deve ser individualizado. Em muitos casos, a correção adequada e a reabilitação visual permitem resultados completos.

O especialista destaca que tratar precocemente reduz impactos no desempenho escolar, na sociabilidade e na autoconfiança da criança.

“Qualquer sinal merece investigação. A boa notícia é que, quando diagnosticado e tratado a tempo, o estrabismo tem alta chance de correção e de recuperação da visão”, conclui Galton Carvalho Vasconcelos.

A recomendação geral é procurar um oftalmologista pediátrico ao primeiro sinal de desalinhamento, já nos primeiros anos de vida, para garantir desenvolvimento visual saudável.