Estrabismo em Bebês

Estrabismo em Bebês: Quando o Desalinhamento dos Olhos é Normal e Quando Procurar Ajuda

Estrabismo em bebês: quando o desvio ocular é normal e quando pode indicar problema de visãoMédica especialista esclarece dúvidas comuns dos pais e alerta para a importância do diagnóstico precoce

Por Redação Brazil Health , 09/08/2025

3 min de leitura

Estrabismo em Bebês: Quando o Desalinhamento dos Olhos é Normal e Quando Procurar Ajuda

Estrabismo em bebês: quando o desvio ocular é normal e quando pode indicar problema de visão

Médica especialista esclarece dúvidas comuns dos pais e alerta para a importância do diagnóstico precoce

O desalinhamento ocular em bebês, popularmente conhecido como “olhar vesguinho”, costuma assustar famílias logo nos primeiros meses de vida. Embora seja um fenômeno comum durante o desenvolvimento visual, especialistas alertam sobre a importância de diferenciar situações normais de sinais que podem indicar problemas de saúde ocular.

“Nos primeiros seis meses, é esperado que o bebê apresente um leve desalinhamento dos olhos, o chamado estrabismo fisiológico,” explica a Dra. Márcia Ferrari, oftalmopediatra e diretora clínica do H.Olhos, da Vision One. Segundo ela, o sistema visual ainda está em formação, e a coordenação dos músculos oculares não alcançou plena maturidade nessa fase. “O bebê está aprendendo a usar os dois olhos juntos, criando a visão binocular”, completa.

Nem todo desalinhamento ocular, contudo, é motivo de alarde. Muitas vezes, a falsa impressão de desvio pode ser causada por características anatômicas do rosto do bebê, como a presença de prega nasal mais larga. “Chamamos isso de pseudoestrabismo, que é apenas uma ilusão devido ao formato facial da criança,” esclarece a especialista. Uma avaliação feita por oftalmologista pediátrico é fundamental para diagnosticar corretamente a causa do desalinhamento.

O estrabismo fisiológico tende a desaparecer naturalmente até os seis meses de idade. Persistindo além deste período, ou se for observado desvio frequente e significativo, os pais devem buscar auxílio especializado. “O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações como a ambliopia, conhecida como ‘olho preguiçoso’. Nessa condição, o cérebro passa a ignorar as imagens vindas do olho desviado, comprometendo o desenvolvimento da visão”, explica a médica.

Entre os principais exames realizados logo após o nascimento está o Teste do Reflexo Vermelho, ou “teste do olhinho”. A oftalmopediatra frisa sua importância: “Esse exame simples permite detectar precocemente doenças graves como catarata congênita, glaucoma, retinoblastoma e outras alterações na retina.”

Outra condição rara possível de ser notada precocemente é a microftalmia, marcada pelo tamanho reduzido do globo ocular. “Sinais como diferença no tamanho dos olhos, pálpebras assimétricas ou ausência de reflexo exigem rápida intervenção médica”, orienta Ferrari.

Apesar de muitas pessoas associarem miopia, astigmatismo e catarata à idade adulta, essas doenças também podem acometer bebês, frequentemente de forma congênita. A especialista reforça: “A detecção precoce é crucial para evitar prejuízos no desenvolvimento visual.”

  • olhos desalinhados de forma persistente
  • lacrimejamento excessivo
  • sensibilidade à luz
  • manchas na pupila
  • dificuldade para seguir objetos com o olhar

Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é buscar uma avaliação oftalmológica. “Recomenda-se que todo bebê passe por uma consulta completa entre os 6 e 12 meses de vida, mesmo quando não há queixas. Depois, os exames devem ser feitos anualmente ou conforme o médico orientar”, finaliza Dra. Márcia Ferrari.