Escorpião

Acidentes com Escorpiões Sobem 150 por cento no Brasil com Mudanças Climáticas

País soma 126 mil casos e 148 mortes até setembro; calor, chuvas irregulares e lixo favorecem a proliferação.

Por Redação Brazil Health , 27/10/2025

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Acidentes com Escorpiões Sobem 150 por cento no Brasil com Mudanças Climáticas

Os acidentes com escorpiões voltaram a subir no Brasil e preocupam com a chegada das altas temperaturas. Segundo o Ministério da Saúde, foram mais de 126 mil registros neste ano, com 148 mortes confirmadas até setembro.

O avanço não é pontual: um estudo recente publicado na revista científica Frontiers in Public Health aponta que os casos cresceram 150% entre 2014 e 2023, configurando uma tendência de longo prazo.

“A atenção deve ser ainda maior com crianças e idosos, considerados mais vulneráveis aos efeitos do veneno. Em caso de picada de escorpião, a orientação é procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo, evitando medidas caseiras, já que o atendimento rápido faz toda a diferença,” afirma Dayanna Palmer, médica da Afya.

Calor, chuvas irregulares e lixo criam terreno fértil

Mudanças climáticas e urbanização desordenada estão no centro do problema. Verões mais quentes e a alternância entre períodos de chuva e seca favorecem a reprodução desses animais, adaptados a ambientes quentes e úmidos.

Em áreas com saneamento precário, os escorpiões encontram abrigo em redes de esgoto e podem invadir casas por ralos e encanamentos. O acúmulo de lixo, entulho e madeira empilhada amplia os esconderijos e a oferta de alimento.

Estados com mais casos; SP puxa a fila

São Paulo lidera os registros neste ano, com 28 mil ocorrências, seguido por Minas Gerais (21 mil) e Bahia (12 mil). Na capital paulista, as ocorrências de julho saltaram de 2.639, em 2023, para 3.359 neste ano, alta de 27,3%.

O interesse do público também aumentou: em setembro, o Radar Whitebook, ferramenta que monitora buscas por temas de saúde, identificou um crescimento de 300% na procura por informações sobre picadas de escorpião em relação aos meses anteriores.

Pesquisadores alertam que, sem ações estruturais de limpeza urbana e melhorias no saneamento, a tendência é de manutenção do avanço dos casos, especialmente durante os meses mais quentes.

Como se proteger e quando buscar ajuda

Palmer recomenda redobrar os cuidados em terrenos baldios, áreas com entulho, madeira acumulada e locais com lixo. Segundo a médica, as partes do corpo mais atingidas são dedos, mãos e pés, o que exige atenção ao calçar sapatos e manusear materiais empilhados.

Medidas simples ajudam a reduzir o risco em casa e no entorno:

  • Manter quintais limpos, sem entulho, folhas e madeira acumulada.
  • Vedar ralos e frestas, instalar telas e conservar tampas de esgoto.
  • Sacudir roupas, toalhas e calçados antes de usar; usar luvas ao mexer em entulhos.
  • Evitar lixo exposto e manter a coleta regular na vizinhança.

Em caso de picada, a orientação é procurar atendimento imediato. O tempo até o socorro é decisivo para reduzir complicações, sobretudo em crianças e idosos.

Com o calor em alta, especialistas defendem campanhas de orientação, limpeza de áreas de risco e reforço na vigilância para conter o avanço dos acidentes e salvar vidas.