Epilepsia

Epilepsia em crianças: o que fazer quando as crises não param com remédios

Cerca de 20% a 30% das crianças com epilepsia não respondem a dois remédios. Especialistas explicam sinais de alerta, exames e opções como cirurgia, dieta e marcapasso para o cérebro.

Por Redação Brazil Health , 08/12/2025

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Epilepsia em crianças: o que fazer quando as crises não param com remédios

Para a maioria das famílias, a epilepsia na infância é controlada com medicamentos. Mas uma parcela importante segue tendo crises apesar do tratamento correto. “Em grande parte dos casos, as crises são controladas com o uso de medicamentos antiepilépticos. No entanto, cerca de 20% a 30% das crianças diagnosticadas desenvolvem o que chamamos de epilepsia refratária (quando as crises continuam ocorrendo apesar do uso correto de duas ou mais medicações adequadas)”, afirma o neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida, membro da Brazil Health.

Esse quadro exige atenção, porque as crises repetidas podem atrapalhar o aprendizado, a socialização e o comportamento. “A repetição constante das crises interfere na atividade elétrica do cérebro, que ainda está em formação”, explica o especialista.

O que é e por que exige rapidez

A chamada epilepsia refratária é quando as crises persistem mesmo com remédios adequados ao tipo de crise e à idade. “A epilepsia refratária, também chamada de farmacorresistente, é aquela que persiste mesmo após tentativas terapêuticas com fármacos considerados apropriados para o tipo de crise e idade do paciente”, detalha Almeida.

A causa pode ser genética, malformações do cérebro, tumores, sequelas de infecções ou traumas. “É importante lembrar que a epilepsia não é uma doença única, mas sim um conjunto de síndromes com diferentes causas e manifestações”, diz o médico.

Diagnóstico: como confirmar o quadro

O diagnóstico deve ser feito por equipe especializada, com neurologistas, neurocirurgiões e profissionais de neuroimagem. Exames como eletroencefalograma (EEG), vídeo-EEG (registro das crises em vídeo junto ao EEG) e ressonância ajudam a mapear de onde partem as descargas elétricas anormais.

Segundo Almeida, entender a origem das crises define o próximo passo com segurança. “Saber exatamente onde e como as crises se originam permite traçar uma linha terapêutica mais precisa”, afirma.

Tratamento vai além do remédio

Quando os remédios não resolvem, há alternativas. “Quando os medicamentos não controlam as crises, outras estratégias devem ser consideradas”, diz o neurocirurgião.

Uma delas é a cirurgia de epilepsia, indicada quando existe uma lesão bem delimitada que possa ser removida com segurança. Em casos bem selecionados, as taxas de sucesso chegam a controle completo das crises em até 70% dos pacientes.

Outra opção é a estimulação do nervo vago, um dispositivo semelhante a um marcapasso que envia impulsos elétricos para reduzir a frequência das crises. Há ainda a dieta cetogênica, rica em gorduras e pobre em carboidratos, com resultados especialmente promissores em crianças pequenas.

O cuidado não termina no controle das crises. “Mais do que controlar as crises, é preciso cuidar da criança como um todo”, ressalta Almeida. Isso inclui apoio psicológico à família, terapias de reabilitação e inclusão escolar para garantir desenvolvimento e autonomia.

Para o especialista, informação e acesso rápido a equipes experientes fazem diferença. “O caminho nem sempre é simples, mas a informação certa e o diagnóstico precoce fazem toda a diferença.” E completa: “Pais atentos, profissionais capacitados e acesso ao tratamento adequado formam o tripé que pode mudar o curso da história de uma criança com epilepsia refratária.”