Enxaqueca

Vergonha e Falta de Informação Afastam Pacientes de Tratamento Eficaz da Enxaqueca

Tabus em torno da doença aumentam o tempo para diagnóstico e prejudicam o bem-estar de milhões de brasileiros

Por Redação Brazil Health , 28/08/2025

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Vergonha e Falta de Informação Afastam Pacientes de Tratamento Eficaz da Enxaqueca

Apesar de afetar cerca de 32 milhões de pessoas no país, segundo a Organização Mundial da Saúde, a enxaqueca ainda é envolta em desinformação e preconceito. Esses obstáculos provocam, muitas vezes, um longo e doloroso caminho até o diagnóstico: de acordo com estudo publicado no The Journal of Headache and Pain, o tempo médio entre as primeiras crises e a procura por um especialista pode ultrapassar 17 anos.

Parte da dificuldade está no fato de muitas pessoas confundirem a enxaqueca com uma simples dor de cabeça. Só que este é um problema neurológico crônico, com potencial de afetar profundamente a vida social, profissional e familiar de quem sofre com crises recorrentes. “A forma grave compromete a execução das atividades do dia a dia. Só o tratamento adequado devolve ao paciente a capacidade de ser produtivo”, explica o neurologista Mario Peres, presidente da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces).

Principais obstáculos enfrentados pelos pacientes

  • desconhecimento e automedicação: Sem acesso a informações claras, muitos optam pela automedicação, aumentando os riscos de agravamento dos sintomas e dificultando o controle da doença.
  • mitos sobre fatores desencadeantes: Há crença de que evitar supostos “gatilhos”, como certos alimentos ou luz intensa, poderia impedir as crises. Especialistas afirmam que a enxaqueca é mais complexa, com origem neurológica e influências genéticas, físicas e ambientais, exigindo tratamento multidisciplinar.
  • minimização dos sintomas: Familiares e colegas tendem a reduzir a gravidade das crises, levando o paciente a conviver com desconforto físico e, ao mesmo tempo, com a necessidade de cumprir suas obrigações cotidianas.
  • medo de julgamentos: O preconceito, especialmente em ambientes profissionais, faz com que muitos evitem falar sobre o problema ou se ausentar do trabalho mesmo diante de crises intensas.
  • culpabilização e falta de apoio: Estigmatizar a doença como resultado de fatores emocionais acentua o isolamento e dificulta a procura por ajuda médica.

Muitos pacientes chegam a associar a enxaqueca a questões emocionais, aumentando o sentimento de culpa e isolamento. No entanto, com acompanhamento médico e tratamento adequado, é possível controlar a doença e recuperar qualidade de vida. “Os tratamentos garantem às pessoas a redução da intensidade e da frequência das crises. O acompanhamento adequado devolve ao paciente atividades que foram evitadas ou abandonadas, além de restaurar sua autoconfiança. Procurar um especialista é fundamental”, reforça o Dr. Peres.