Endometriose

Endometriose pode ser diagnosticada após os 40; dor menstrual não deve ser normalizada

Sintomas pouco específicos e a normalização da dor atrasam o diagnóstico; especialista alerta que a doença pode afetar qualidade de vida e fertilidade mesmo na maturidade.

Por Redação Brazil Health , 21/07/2026

3 min de leitura

Endometriose pode ser diagnosticada após os 40; dor menstrual não deve ser normalizada

Mulheres que chegam aos 40 anos sem suspeitar de endometriose podem receber o diagnóstico apenas nessa fase da vida, mesmo tendo convivido por décadas com dores e desconfortos durante a menstruação. A condição não é exclusiva da juventude e pode ser identificada tardiamente por causa de sintomas interpretados como “normais” ou confundidos com outros problemas.

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao que reveste o útero cresce fora dele e pode atingir órgãos da pelve. Entre as consequências estão dor crônica, dificuldade para engravidar e alterações intestinais e urinárias. Estimativas indicam que a doença atinge cerca de 10% das pessoas que menstruam no Brasil, o equivalente a aproximadamente 8 milhões.

Por que o diagnóstico pode demorar

Segundo a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), a exposição ao ciclo menstrual aumentou ao longo do último século: enquanto no início do século XX uma mulher menstruava em torno de 40 vezes, hoje pode chegar a cerca de 400 ciclos ao longo da vida reprodutiva. A entidade aponta ainda que fatores genéticos e ambientais, além de estresse e ansiedade, podem se relacionar à incidência e à progressão da doença.

Apesar disso, o principal entrave segue sendo a demora para investigar os sintomas. Cólicas intensas e dor durante a menstruação frequentemente são minimizadas, o que pode adiar por anos uma avaliação adequada.

“Muitas pessoas acreditam que a endometriose só aparece na juventude, mas isso não é verdade. A doença pode ser diagnosticada após os 40 anos porque muitas mulheres conviveram durante décadas com sintomas considerados normais. Não é raro encontrarmos pacientes que passaram anos tratando apenas a dor, sem investigar sua causa”, afirma o ginecologista e obstetra Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da SBE.

Impactos na rotina e caminhos de tratamento

O especialista ressalta que ficar muito tempo sem tratamento pode piorar o quadro e comprometer a qualidade de vida, com repercussões na rotina profissional, nos relacionamentos e na saúde emocional. Em alguns casos, também pode haver impacto na fertilidade.

O tratamento depende da extensão da doença e pode envolver controle hormonal, mudanças no estilo de vida, acompanhamento clínico e, quando necessário, cirurgia.

Maternidade mais tarde exige atenção aos sinais

Com mais mulheres postergando a maternidade, a recomendação é manter acompanhamento ginecológico e não normalizar dor incapacitante. “A mulher de hoje tem mais autonomia para decidir quando deseja engravidar ou mesmo se deseja ser mãe. Esse novo momento da sociedade reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento ginecológico. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de preservar a qualidade de vida e a fertilidade, quando esse for o desejo da paciente”, diz Tcherniakovsky.