Nutrição

Uso de insulina no fisiculturismo pode causar hipoglicemia grave e morte, alerta médica

Após a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, endocrinologista explica por que a substância, indicada para diabetes, virou aposta arriscada em protocolos estéticos e quais sinais exigem socorro imediato.

Por Redação Brazil Health , 27/05/2026

3 min de leitura

Uso de insulina no fisiculturismo pode causar hipoglicemia grave e morte, alerta médica

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu nas redes sociais e entre profissionais de saúde o debate sobre o uso de substâncias fora da indicação médica em rotinas de “performance” e estética. Entre elas, a insulina preocupa especialistas por poder provocar uma queda brusca da glicose no sangue, com risco de convulsões, coma e morte.

Indicada principalmente para o tratamento do diabetes, a insulina vem sendo usada de forma irregular em alguns ambientes do fisiculturismo por efeitos metabólicos associados ao ganho de volume muscular e recuperação energética. O problema é que erros de dose, alimentação ou tempo de aplicação podem desencadear hipoglicemia severa, uma emergência médica.

“A insulina é um hormônio essencial para a vida e tem indicação médica muito bem estabelecida no tratamento do diabetes. O problema surge quando ela é utilizada sem necessidade clínica e fora de acompanhamento médico, especialmente em contextos de performance estética ou fisiculturismo”, afirma a endocrinologista e metabologista Tassiane Alvarenga, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Por que a insulina é perigosa fora do consultório

Segundo a especialista, a principal ameaça é a hipoglicemia grave. “A insulina aplicada de forma exógena não possui o mesmo controle biológico fino que existe naturalmente no organismo. Ela continua empurrando glicose para dentro das células mesmo quando os níveis sanguíneos começam a despencar. E é aí que mora o perigo”, diz.

O cérebro depende quase exclusivamente de glicose para funcionar. Quando a taxa cai demais, o corpo pode entrar rapidamente em falência energética. “Os primeiros sinais podem incluir sudorese, tremores, taquicardia, visão turva e confusão mental. Em situações mais graves, o paciente pode evoluir para perda de consciência, convulsões, coma hipoglicêmico e risco de morte”, alerta Alvarenga.

Como a substância entra em protocolos de hipertrofia

No fisiculturismo, a insulina costuma ser buscada por atletas que tentam aumentar a entrada de glicose e nutrientes nas células musculares, favorecendo o armazenamento de glicogênio e um ambiente metabólico considerado anabólico. “Tecnicamente, a insulina não é um esteroide anabolizante como testosterona ou derivados androgênicos. Mas, ela possui uma ação anabólica metabólica muito importante”, explica a endocrinologista.

Associação com outras drogas pode ampliar riscos

A médica afirma que, em muitos casos, o uso ocorre junto de hormônio do crescimento, anabolizantes e estimulantes, o que pode elevar a sobrecarga metabólica e cardiovascular. “Performance estética não elimina vulnerabilidade fisiológica. Um corpo extremamente musculoso não significa necessariamente segurança metabólica ou cardiovascular”, diz.

Alvarenga também pede cautela ao relacionar o caso do atleta a uma causa específica sem confirmação oficial. “Até o momento, informações oficiais completas sobre a causa da morte ainda precisam ser respeitadas e aguardadas. Transformar especulações em conclusões precipitadas não é adequado do ponto de vista médico nem humano”, afirma.