Nutrição

Retatrutida faz pacientes perderem até 28% do peso em estudo e chama atenção na obesidade

Pesquisa publicada na revista The Lancet descreve redução expressiva de peso após até 80 semanas e sugere novos caminhos para tratar obesidade e doenças associadas, mas o medicamento ainda está em desenvolvimento e não foi aprovado.

Por Redação Brazil Health , 12/06/2026

4 min de leitura

Retatrutida faz pacientes perderem até 28% do peso em estudo e chama atenção na obesidade

Um estudo publicado na revista científica The Lancet apontou que a retatrutida, uma substância investigada para tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, levou a uma perda média de até 28,3% do peso corporal em pacientes que receberam a maior dose testada. O resultado, observado após até 80 semanas, reforça a expectativa em torno de uma nova geração de medicamentos voltados ao controle do peso.

Os dados foram apresentados no congresso anual da Associação Americana de Diabetes (ADA), nos Estados Unidos. A retatrutida ainda não foi aprovada por agências regulatórias e permanece em fase de desenvolvimento clínico.

Além do emagrecimento, o trabalho descreve efeitos em condições frequentemente associadas à obesidade, como apneia obstrutiva do sono e osteoartrite de joelho, quadro que pode piorar com o excesso de peso e limitar a prática de atividade física.

“São drogas e inovações científicas que podem revolucionar as próximas gerações, evitar o surgimento de doenças, melhorar a qualidade de vida e aumentar a longevidade”, afirmou a endocrinologista Alessandra Rascovski, PhD, citada no material.

Como a substância age no organismo

A retatrutida pertence à mesma família de medicamentos injetáveis usados para controle de peso e de glicemia, mas tem uma diferença: foi desenhada para imitar três hormônios intestinais envolvidos na regulação do apetite e do metabolismo, o que pode ampliar a sensação de saciedade e influenciar o gasto energético.

Rascovski explica que, enquanto a semaglutida atua imitando um hormônio ligado à saciedade, a nova molécula tenta reproduzir outros sinais hormonais relacionados à resposta do corpo às refeições. “A semaglutida imita o hormônio GLP-1, que influencia nossa sensação de saciedade e está presente em todos esses medicamentos de controle de obesidade e diabetes. Mas a Retatrutida, no entanto, que é um agonista triplo, simula mais dois hormônios, o GIP, que melhora a secreção de insulina após uma refeição e o Glucagon, que aumenta o nível de glicose no sangue contrapondo-se aos efeitos da insulina”, disse.

O que os estudos mostraram e quais são os limites

Em um ensaio citado no material, com pessoas com obesidade e osteoartrite no joelho (IMC a partir de 35 e sem diagnóstico de diabetes), participantes receberam injeções semanais da substância ou placebo por 68 semanas. Na dose mais alta, a perda média reportada foi de 32,2 kg, equivalente a 28,7% do peso.

Para efeito de comparação, o texto informa que a dose máxima da tirzepatida (comercializada em alguns países como Zepbound) chega a cerca de 22,5% de redução, enquanto a semaglutida (Wegovy) fica abaixo de 20% em média.

Como ocorre com outros medicamentos dessa classe, os efeitos colaterais mais comuns relatados foram gastrointestinais, como náusea e diarreia. Uma análise mencionada no material aponta que essas taxas podem ser mais altas do que as observadas com semaglutida e tirzepatida, embora ainda dentro do perfil já conhecido desse tipo de tratamento.

Canetas disponíveis e para que servem

No Brasil, há opções injetáveis com indicações e esquemas diferentes. Entre as citadas no material estão:

  • Saxenda (liraglutida): aplicação diária; indicada para sobrepeso ou obesidade; redução média de 9% do peso.
  • Wegovy (semaglutida): indicada para obesidade; redução média de 17% em cerca de um ano; recomendada para IMC acima de 30 ou acima de 27 com comorbidades.
  • Ozempic (semaglutida): voltado ao controle glicêmico no diabetes tipo 2, com doses diferentes do Wegovy.
  • Mounjaro e Zepbound (tirzepatida): no material, aparecem como os melhores resultados até aqui, com perda de peso chegando a cerca de 25%.

Especialistas lembram que medicamentos para emagrecimento devem ser usados com acompanhamento médico, considerando histórico clínico, riscos de efeitos adversos e a necessidade de mudanças sustentáveis de alimentação e atividade física para manutenção do peso.