Nutrição

Obesidade e pressão alta podem elevar risco de demência, aponta estudo

Pesquisa com dados de europeus sugere que o excesso de peso eleva o risco principalmente por favorecer a hipertensão, um fator associado a danos no cérebro ao longo do tempo.

Por Redação Brazil Health , 05/06/2026

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Obesidade e pressão alta podem elevar risco de demência, aponta estudo

A obesidade e a hipertensão arterial podem ter papel direto no aumento do risco de demência, de acordo com um estudo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. A conclusão reforça a importância de prevenir e controlar fatores modificáveis, já que as opções de tratamento para a demência ainda são limitadas.

A demência é uma síndrome marcada pela perda progressiva de funções como memória, linguagem, raciocínio e capacidade de planejamento, em geral associada ao envelhecimento. Entre as formas mais comuns estão a doença de Alzheimer, a demência vascular e a demência mista.

“As opções de tratamento e prevenção para a demência são escassas, o que reforça a necessidade de identificar fatores de risco causais modificáveis”, afirma a endocrinologista Deborah Beranger, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ).

Como o estudo investigou a relação

Os pesquisadores analisaram dados de participantes de Copenhague, na Dinamarca, e do Reino Unido. Para tentar separar associação de causa, o trabalho usou uma técnica chamada randomização mendeliana, que aproveita variantes genéticas ligadas a maior índice de massa corporal (IMC) como uma espécie de “experimento natural”.

“Eles conseguiram estabelecer uma relação causal direta entre o IMC elevado e a demência porque utilizaram um método de randomização mendeliana, que simula um ensaio clínico randomizado”, diz Beranger.

O papel da hipertensão na ligação com demência

Segundo a análise, parte relevante do aumento do risco pode ser explicada pela hipertensão, condição mais comum em pessoas com IMC elevado e que pode comprometer vasos sanguíneos e a circulação no cérebro ao longo dos anos. “Os pesquisadores descobriram que a demência pode ser causada pelo efeito da hipertensão arterial no cérebro, de forma que um IMC elevado é uma causa direta de hipertensão arterial”, afirma a endocrinologista.

O que muda para prevenção

Os achados sugerem que estratégias de prevenção e controle do excesso de peso e da pressão alta podem contribuir para reduzir o risco de demência, especialmente a de origem vascular. Ainda assim, especialistas ressaltam que o tema envolve múltiplos fatores e que intervenções precisam ser feitas com acompanhamento.

“Uma questão em aberto que ainda precisa ser investigada é se a medicação para perda de peso iniciada antes do aparecimento dos sintomas cognitivos pode ser protetora contra a demência”, diz Beranger. Ela acrescenta que a busca por orientação profissional é importante para mudanças sustentáveis: “É fundamental buscar auxílio de um médico, nutricionista e profissional de Educação Física para que a perda de peso seja sustentada”.