Nutrição

Hipoglicemia: o que é a queda de açúcar e quando ela pode ser perigosa

Tremores e tontura nem sempre são “falta de doce”. Endocrinologista explica causas, sinais de alerta e por que episódios repetidos precisam de investigação, inclusive em quem não tem diabetes.

Por Redação Brazil Health , 02/06/2026

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Hipoglicemia: o que é a queda de açúcar e quando ela pode ser perigosa

A hipoglicemia, conhecida como “queda de açúcar”, acontece quando a glicose no sangue cai para níveis abaixo do esperado, geralmente inferiores a 70 mg/dL. Embora seja um problema relativamente comum, especialistas alertam que a condição ainda é frequentemente confundida com outras situações e pode ser negligenciada, o que aumenta o risco de complicações.

“A hipoglicemia pode parecer algo simples, mas quando não é identificada e tratada corretamente, pode levar a quadros graves, como convulsões, arritmias e até perda de consciência”, afirma o endocrinologista Ramon Marcelino, pesquisador do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Os sintomas mais típicos incluem tremores, tontura, fraqueza, palpitações e suor excessivo. Mas nem sempre esses sinais significam, de fato, glicose baixa: eles também podem ocorrer por desidratação, ansiedade ou queda de pressão, entre outras causas. Por isso, diante de episódios recorrentes, a recomendação é procurar avaliação médica.

Quem pode ter hipoglicemia além de pessoas com diabetes

O problema é mais comum em pessoas com diabetes que usam insulina ou alguns medicamentos para reduzir a glicose. Ainda assim, pode ocorrer em quem não tem diabetes, especialmente após cirurgia bariátrica, em situações de jejum prolongado ou com o uso de certos fármacos.

“Embora seja mais comum entre pessoas com diabetes em uso de insulina ou outros medicamentos, a hipoglicemia também pode acontecer em quem não tem a doença, especialmente após cirurgia bariátrica, jejum prolongado ou uso de determinados fármacos, e precisa ser tratada corretamente”, diz Marcelino.

Segundo ele, no Brasil, uma das causas mais frequentes fora do diabetes é a hipoglicemia após cirurgia bariátrica, quando há uma elevação rápida da glicose após a ingestão de doces, seguida por uma queda brusca.

O que fazer durante um episódio e quais erros são comuns

Uma dúvida recorrente é se “qualquer doce” resolve. O endocrinologista explica que a conduta depende do caso, mas que, quando há suspeita de hipoglicemia, costuma-se usar carboidratos de ação rápida. “A regra do 15-15 ajuda: tomar 200 mL de suco ou refrigerante, esperar 15 minutos e medir novamente a glicemia”, orienta. Ele também ressalta que exagerar no doce pode provocar uma subida rápida e, em seguida, nova queda.

Outra confusão frequente é considerar a medição na ponta do dedo como diagnóstico definitivo. O teste capilar pode ajudar no momento do sintoma, mas a confirmação e a investigação da causa, quando necessária, costumam exigir avaliação clínica e exames laboratoriais.

Quando a queda de açúcar pode indicar algo mais sério

Episódios importantes de hipoglicemia podem levar a desmaios, convulsões e coma. Além disso, a glicose baixa está associada a maior risco de acidentes e pode sobrecarregar o coração, aumentando a chance de arritmias e outros eventos.

Em alguns casos, a hipoglicemia pode ser sinal de condições específicas, como tumores raros do pâncreas (insulinomas), deficiências hormonais – como insuficiência adrenal – e, mais raramente, alterações genéticas relacionadas à ação da insulina. Pesquisas sobre causas e mecanismos da hipoglicemia em adultos vêm sendo conduzidas no Hospital das Clínicas da USP em parceria com a Unicamp.

Para o especialista, o principal recado é não tratar episódios repetidos como algo “normal”. “Identificar a causa da hipoglicemia é o primeiro passo para tratar e prevenir novos episódios”, conclui Marcelino.