Nutrição

Hábitos do dia a dia podem “ligar” ou silenciar genes ligados à obesidade

Alimentação, estresse e atividade física influenciam processos do apetite, do gasto energético e da inflamação ao longo da vida

Por Redação Brazil Health , 07/03/2026

4 min de leitura

Hábitos do dia a dia podem “ligar” ou silenciar genes ligados à obesidade

Pesquisas recentes destacam o papel da epigenética, conjunto de mecanismos que modulam a atividade dos genes sem alterar a sequência do DNA, na compreensão do avanço da obesidade no mundo. A condição já atinge mais de 1 bilhão de pessoas globalmente, e dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, indicam crescimento consistente do excesso de peso entre adultos no Brasil entre 2006 e 2024.

O que a ciência já observa

Estudos indicam que fatores ambientais e comportamentais deixam marcas químicas capazes de regular a expressão de genes associados ao apetite, ao gasto energético, à inflamação e ao metabolismo da glicose.

“Nossos hábitos funcionam como um interruptor químico e influenciam processos ligados ao apetite, ao gasto energético, à inflamação, à resistência à insulina e ao armazenamento de gordura”, afirma a endocrinologista Cecilia Solís-Rosas García, membro do Conselho para Assuntos de Nutrição da Herbalife.

Uma revisão publicada no International Journal of Obesity relata que experiências adversas na infância podem produzir marcas epigenéticas duradouras, elevando o risco de obesidade na vida adulta.

Influência antes do nascimento

Evidências também sugerem que o ambiente durante a gestação exerce impacto importante sobre o risco metabólico futuro. Alimentação materna, ganho de peso durante a gravidez e hábitos como o tabagismo podem influenciar a regulação de genes relacionados ao metabolismo nos filhos.

Pesquisas publicadas no Journal of Pediatrics investigam como experiências adversas na infância se associam a mudanças nos padrões de metilação do DNA, processo químico que regula a atividade dos genes, com repercussões no peso corporal ao longo do desenvolvimento.

Além da dieta e da atividade física, fatores como qualidade do sono, estresse crônico e exposição a toxinas ambientais formam um conjunto de influências que, somadas, podem modular a suscetibilidade individual ao ganho de peso.

Hábitos que pesam nos genes

Estudos recentes destacam como escolhas do cotidiano podem se refletir na expressão genética.

Alimentação. Revisões em nutrição indicam que dietas ricas em açúcares simples e gorduras saturadas favorecem inflamação e disfunções metabólicas. Em contrapartida, padrões alimentares com fibras, frutas, verduras, leguminosas e gorduras insaturadas se associam a melhor sensibilidade à insulina.

Estresse. O estresse crônico pode alterar rotas epigenéticas ligadas à resposta neuroendócrina, com repercussões sobre humor, apetite e metabolismo, segundo estudos publicados no International Journal of Molecular Sciences.

Atividade física. Exercícios regulares promovem alterações benéficas na metilação do DNA e na expressão de genes relacionados à adaptação metabólica, como mostram pesquisas sobre atividade física e epigenética em humanos.

Os achados não significam que o peso corporal dependa apenas de força de vontade. Especialistas destacam que condições sociais, ambiente, acesso a alimentos saudáveis e oportunidades para atividade física também influenciam o risco de obesidade ao longo da vida.

Para a endocrinologista, mudanças graduais podem produzir efeitos positivos. “Mesmo intervenções de curto prazo já são capazes de influenciar a expressão de genes ligados ao metabolismo energético. Pequenos ajustes, como incluir mais vegetais na alimentação, praticar cerca de 30 minutos de atividade física por dia e priorizar um sono de qualidade, podem fazer diferença”, afirma.

Especialistas defendem que estratégias integradas, que vão da atenção pré-natal à promoção de ambientes mais saudáveis e ao apoio psicossocial, são fundamentais para reduzir o impacto da obesidade e das doenças metabólicas associadas.