Nutrição

Baixa testosterona e obesidade podem formar ciclo que afeta libido e coração

Endocrinologista explica como o excesso de gordura, sobretudo abdominal, pode reduzir a produção hormonal e aumentar riscos como diabetes, apneia do sono e doenças cardiovasculares; uso de testosterona sem indicação pode trazer efeitos graves.

Por Redação Brazil Health , 03/06/2026

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Baixa testosterona e obesidade podem formar ciclo que afeta libido e coração

A combinação de obesidade e baixa testosterona tem chamado a atenção de especialistas por criar um ciclo que pode prejudicar a saúde dos homens para além da vida sexual. A queda do hormônio pode favorecer o acúmulo de gordura e a perda de massa muscular, enquanto o ganho de peso, principalmente na barriga, pode reduzir a produção natural de testosterona, dificultando a reversão do quadro sem orientação médica.

Segundo a endocrinologista Milene Guirado, a relação é de “mão dupla”. “A testosterona baixa pode tanto favorecer o ganho de peso como também pode ser consequência da obesidade. Torna-se um círculo vicioso”, afirma. Ela explica que a gordura abdominal estimula substâncias inflamatórias e hormonais que atrapalham o sinal do cérebro responsável por regular a produção do hormônio.

A testosterona participa de funções ligadas à energia, ao metabolismo e à composição corporal. “Quando os níveis desse hormônio diminuem, o homem tende a perder força, disposição e massa magra, além de apresentar mais dificuldade para emagrecer”, diz Guirado. De acordo com a médica, isso pode repercutir na saúde metabólica e óssea e na qualidade de vida.

O que é a síndrome MOSH

Nos últimos anos, essa condição associada ao excesso de peso passou a ser descrita também como síndrome MOSH, sigla em inglês para hipogonadismo secundário à obesidade masculina. Estudos apontam que o excesso de gordura corporal, sobretudo na região abdominal, pode provocar alterações inflamatórias e hormonais que diminuem o funcionamento do eixo que estimula a produção natural de testosterona.

Com isso, o organismo tende a entrar em um ciclo de mais ganho de gordura, menos massa muscular, cansaço e piora de marcadores metabólicos, como resistência à insulina, o que pode elevar o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares. A literatura também indica que mudanças de estilo de vida, com perda de peso e atividade física regular, podem ajudar a reverter o quadro.

Sinais de alerta e por que investigar

Os sintomas podem incluir redução da libido, fadiga, dificuldade de concentração, perda de força muscular, sonolência excessiva e ganho de peso. “Muitas vezes o homem acha que é apenas cansaço da rotina ou estresse, mas isso precisa ser investigado”, afirma a endocrinologista.

Ela reforça que a gordura visceral não é apenas uma questão estética. “A gordura abdominal não é apenas uma questão estética. Ela está associada a inflamação, alterações metabólicas e aumento importante do risco cardiovascular”, diz.

Reposição não é para estética

Com o aumento da busca por testosterona, especialmente influenciada por conteúdos nas redes sociais, Guirado alerta para os riscos do uso sem avaliação médica. “A reposição hormonal de testosterona tem indicações específicas e não deve ser utilizada apenas por estética, ganho muscular ou performance”, afirma.

Ela destaca ainda que substâncias obtidas por fontes não confiáveis e usadas sem acompanhamento podem trazer complicações. “Os riscos são reais e vão desde infertilidade e lesão hepática até trombose, infarto e AVC”, alerta.

Para a médica, a base do tratamento continua sendo a mudança de hábitos, com melhora da alimentação, prática regular de atividade física e sono adequado. Guirado também chama a atenção para o aumento de casos em homens jovens, incluindo adolescentes, associado a hábitos de vida desfavoráveis, com possíveis impactos na saúde geral e no desenvolvimento.