Gota: Dor nas Articulações Pode Indicar Condição Inflamatória Séria e Tratável
Quadros de dor aguda, geralmente no dedão do pé, podem esconder uma enfermidade crônica que ultrapassa fatores alimentares e exige acompanhamento especializado
Por Redação Brazil Health , 12/09/2025
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A dor intensa e repentina nas articulações, especialmente nos pés, pode ser mais do que um incômodo passageiro. Trata-se, muitas vezes, da gota, uma doença inflamatória provocada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico e que, segundo especialistas, vem ganhando cada vez mais espaço entre as formas de artrite diagnosticadas no Brasil.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia, estima-se que de 1% a 2% dos brasileiros tenham gota, embora esse número possa ser ainda maior devido a casos que passam despercebidos ou são confundidos com outros problemas. Além disso, pesquisas recentes, como as do periódico Lancet Regional Health, destacam que essa é uma condição séria, muitas vezes subestimada e cercada de mitos.
Embora o aumento da incidência esteja relacionado ao envelhecimento da população e a fatores de risco como obesidade e sedentarismo, não é correto atribuir a gota apenas aos hábitos alimentares. “A gota não é causada só pela ingestão de carne ou bebida alcoólica. A produção e a excreção do ácido úrico envolvem mecanismos metabólicos muitas vezes alterados em pessoas com histórico familiar ou com outras condições associadas”, afirma a Dra. Renata Rosa, reumatologista no Hospital do Servidor Público Estadual e membro da Comissão de Gota da SBR.
A manifestação típica começa com dor súbita, vermelhidão, calor e inchaço no dedão do pé, tornozelos ou joelhos, tornando movimentos simples praticamente impossíveis. “A intensidade do incômodo afeta demais a qualidade de vida. Uma crise de gota pode ser tão intensa que o simples toque de um lençol já basta para provocar dor insuportável”, descreve a médica.
A doença atinge principalmente homens entre 40 e 50 anos. Entre as mulheres, o risco aumenta após a menopausa devido a alterações hormonais. Além do histórico familiar, doenças como hipertensão, diabetes tipo 2 e insuficiência renal crônica elevam o risco, assim como o uso frequente de diuréticos.
- histórico familiar de gota
- obesidade
- hipertensão arterial
- diabetes tipo 2
- insuficiência renal crônica
- uso frequente de diuréticos
- dieta rica em carnes vermelhas, frutos do mar, álcool e refrigerantes
Além da avaliação clínica, exames de sangue para medir o nível de ácido úrico e exames de imagem garantem mais precisão ao diagnóstico. O início do tratamento durante as crises busca aliviar a dor e conter a inflamação. Já o controle a longo prazo foca em reduzir o ácido úrico a valores seguros para evitar novas crises.
A prevenção passa por hábitos simples, como manter o peso ideal, beber bastante água, evitar excessos alimentares e tratar doenças associadas. “O mais importante é desmistificar a doença. Ela não é resultado apenas de maus hábitos alimentares, mas de um desequilíbrio metabólico que pode e deve ser controlado com orientação médica”, orienta a Dra. Renata Rosa.
Com acompanhamento reumatológico, a gota pode ser controlada, garantindo qualidade de vida aos pacientes e reduzindo o risco de complicações como nódulos, deformidades e limitação dos movimentos.