Dor de cabeça súbita pode sinalizar aneurisma: saiba quando buscar ajuda
Neurocirurgião detalha sinais de alerta, fatores de risco e avanços no diagnóstico e tratamento, e reforça que informação e rapidez no atendimento podem evitar sequelas graves.
Por Redação Brazil Health , 25/12/2025
3 min de leitura
Silenciosos e potencialmente fatais, os aneurismas cerebrais atingem de 1% a 5% dos adultos e costumam passar despercebidos até a ruptura. “Aneurismas cerebrais são dilatações anormais em artérias do cérebro que, na maioria das vezes, não causam sintomas até o momento da ruptura”, afirma o neurocirurgião Cesar Cimonari de Almeida, membro da Brazil Health.
Sinal de alerta que não pode ser ignorado
O principal alerta é a dor de cabeça súbita e intensa — muitas vezes descrita como “a pior dor de cabeça da vida”. Diferente das dores comuns, ela surge de forma abrupta e pode vir acompanhada de outros sinais. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
- Náusea
- Rigidez no pescoço
- Visão turva
- Confusão mental
- Perda de consciência (em casos mais graves)
Aneurismas que ainda não se romperam também podem causar sintomas, a depender da localização:
- Visão dupla
- Pálpebra caída
- Formigamento facial
- Crises convulsivas
Quem está mais vulnerável e quando investigar
Hipertensão arterial, tabagismo, uso de drogas ilícitas (especialmente cocaína), histórico familiar e doenças genéticas como a poliquistose renal aumentam o risco de formação e ruptura. “Pessoas com dois ou mais casos de aneurisma na família, por exemplo, já são consideradas de risco aumentado e podem se beneficiar de rastreamento por angiorressonância ou angiotomografia, mesmo sem sintomas”, orienta o médico.
Ele acrescenta que “estudos recentes também mostram que insônia e hipertensão resistente estão associados geneticamente ao risco de aneurismas intracranianos”. Controlar a pressão, parar de fumar e adotar hábitos saudáveis reduz de forma significativa as chances de complicações.
Diagnóstico e tratamento: o que há de novo
Exames de imagem, como a angiorressonância magnética, vêm permitindo identificar aneurismas cada vez mais cedo. Segundo o neurocirurgião, o uso de inteligência artificial na análise desses exames “começa a se mostrar promissor na detecção automatizada de lesões pequenas, com alta taxa de acerto e redução de falsos positivos”.
O tratamento depende da localização, do tamanho do aneurisma e do perfil do paciente. As principais estratégias incluem cirurgia (clipping) ou abordagem endovascular (embolização com espirais ou stents). “Em alguns casos, opta-se apenas pelo acompanhamento periódico, especialmente quando o aneurisma é pequeno e apresenta baixo risco de ruptura”, explica.
Para o especialista, informação é aliada. “Em vez de gerar pânico, o conhecimento deve servir como ferramenta de cuidado e tomada de decisão. Quando o assunto é saúde cerebral, ouvir o próprio corpo pode fazer toda a diferença.”
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