Doenças respiratórias

Doenças Respiratórias Não Preveníveis por Vacinas Já Matam Mais que a Gripe no Brasil

Doenças respiratórias crônicas e câncer de pulmão levam a mais mortes que a gripe no Brasil e expõem desafios para o sistema público de saúde.

Por Redação Brazil Health , 02/08/2025

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Doenças Respiratórias Não Preveníveis por Vacinas Já Matam Mais que a Gripe no Brasil

DPOC, asma e câncer de pulmão já são responsáveis por mais de 60 mil mortes anuais e alertam para novos desafios no sistema de saúde brasileiro

As doenças respiratórias para as quais ainda não existem vacinas já matam mais do que a gripe no Brasil, de acordo com dados recentes do DataSUS. Entre elas, estão a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o câncer de pulmão e a asma, enfermidades que causam mais de 60 mil mortes por ano no Brasil, superando, por exemplo, o número de óbitos registrados por complicações de síndromes respiratórias graves que podem ser prevenidas pela vacinação.

A realidade aponta para um quadro preocupante: fatores como o envelhecimento da população, o aumento do tabagismo e da poluição urbana contribuem para o crescimento desses casos. Além do alto índice de mortes, especialistas destacam que muitas dessas doenças ainda são subdiagnosticadas em postos de saúde, tornando o enfrentamento do problema ainda mais complexo.

“O Brasil, nos últimos anos, avançou muito na prevenção de doenças respiratórias para as quais existem vacinas, como gripe, covid-19 e o vírus sincicial respiratório. Mas existe um problema silencioso, que é o aumento de doenças respiratórias crônicas e câncer de pulmão para as quais não há vacina e cujo diagnóstico, muitas vezes, é tardio ou nem acontece”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), pneumologista Ricardo Amorim Corrêa.

Enfrentamento exige novos protocolos

Segundo a SBPT, a DPOC e o câncer de pulmão já figuram entre as principais causas de morte no País. Internações e óbitos por asma – especialmente em casos graves – e por doenças raras, como hipertensão arterial pulmonar e fibrose pulmonar idiopática, também pressionam o Sistema Único de Saúde (SUS), que enfrenta desafios para diagnóstico precoce e tratamento dessas condições.

A entidade lançou recentemente a campanha “A Vida está no ar”, com o objetivo de sensibilizar a população e gestores públicos sobre a importância da saúde respiratória e da adoção de políticas específicas para as doenças crônicas, que tendem a pressionar cada vez mais o sistema público nos próximos anos.

  • ausência de plano nacional para doenças respiratórias crônicas
  • alta taxa de subdiagnóstico em unidades básicas de saúde
  • impacto direto do envelhecimento e dos hábitos de risco, como o tabagismo

“A qualidade de vida da população será diretamente afetada se não repensarmos nossas estratégias de prevenção também para essas doenças”, ressalta Corrêa. “O sucesso alcançado com vacinas agora precisa servir de exemplo para expandirmos políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças crônicas respiratórias e do câncer de pulmão, que já despontam como um dos maiores desafios para a saúde pública no Brasil nesta década.”