Doenças Respiratórias

Clima mais quente e poluição disparam alergias e infecções de ouvido, nariz e garganta

Rinite, sinusite e otite avançam com ar seco, calor extremo e partículas finas de poluição

Por Redação Brazil Health , 01/12/2025

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Clima mais quente e poluição disparam alergias e infecções de ouvido, nariz e garganta

As mudanças do clima já aparecem nas consultas de otorrinolaringologia. Segundo o médico Bruno Borges de Carvalho Barros, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, o combo de calor, poluição e alterações de chuva e umidade está por trás da alta de casos como rinite alérgica, sinusite crônica e infecções de ouvido.

“O nariz é a primeira barreira do corpo contra o ar que respiramos. Quando o ar está mais seco ou poluído, a mucosa perde parte da capacidade de filtrar e umidificar, abrindo caminho para inflamações e infecções”, afirma o especialista.

Um levantamento recente publicado na revista Environmental Research indica que, a cada aumento de 1 °C na temperatura média e na presença de partículas finas da poluição (PM2.5), a incidência de rinite e sinusite pode subir até 20% em áreas urbanas. “Os poluentes irritam a mucosa nasal e os ácaros se multiplicam em ambientes úmidos, agravando os quadros alérgicos”, complementa Barros.

Alergias fora de época

Com estações mais instáveis e desequilíbrio ambiental, o que era sazonal virou rotina. “As plantas florescem em momentos diferentes, os índices de pólen aumentam e a poeira urbana se acumula. O paciente que sofria apenas em certos meses agora tem sintomas o ano inteiro”, explica o médico.

Outro efeito comum é o crescimento de casos de otite média, especialmente em crianças, durante ondas de calor e períodos prolongados de seca. O uso contínuo de ar-condicionado resseca as mucosas, e a mudança brusca de temperatura entre ambientes internos e externos favorece infecções no ouvido e na garganta.

Como se proteger no dia a dia

Enquanto políticas públicas miram a redução das emissões, medidas simples ajudam a diminuir o impacto no organismo:

  • Manter a casa arejada e limpa, reduzindo poeira, ácaros e mofo;
  • Usar umidificador nos dias mais secos e evitar ar-condicionado muito frio;
  • Beber água com frequência para hidratar as vias aéreas;
  • Procurar avaliação médica se houver entupimento, coceira, dor facial ou tosse persistente.

Segundo Barros, reconhecer o vínculo entre clima e saúde é essencial para agir cedo. “O que respiramos é um reflexo do planeta em que vivemos. Se o clima adoece, nós também adoecemos”, conclui o otorrinolaringologista.