Doença Periodontal

Testes de Saliva Detectam Risco de Gengivite e Periodontite de Forma Precoce

Testes de Saliva Detectam Risco de Gengivite e Periodontite de Forma Precoce

Por Redação Brazil Health , 23/10/2025

3 min de leitura

Testes de Saliva Detectam Risco de Gengivite e Periodontite de Forma Precoce

Uma nova geração de testes de saliva promete antecipar o diagnóstico de inflamações nas gengivas, ajudando a evitar complicações mais graves.

A tecnologia ganhou impulso com um dispositivo desenvolvido por engenheiros da Universidade de Cincinnati, que alerta para riscos de gengivite e periodontite.

“Essas iniciativas são muito importantes para que o diagnóstico das doenças seja feito de forma precoce e não invasiva”, afirma a cirurgiã-dentista Dra. Débora Heller, integrante do Grupo de Trabalho de Saliva do CROSP.

Ela lembra que a gengivite costuma ser silenciosa e pode evoluir para periodontite, condição associada a problemas cardiovasculares e ao descontrole do diabetes.

Como funcionam os testes

No consultório, o diagnóstico ainda depende do exame clínico quando os sinais já estão visíveis. Os testes de saliva e do fluido que fica ao redor da gengiva entram como complemento, detectando inflamação antes dos primeiros sintomas. “Os testes salivares conseguem identificar biomarcadores da inflamação antes mesmo de sinais clínicos evidentes”, explica Heller.

Entre os exemplos no exterior estão o Periomonitor, aprovado no Canadá, e o Straumann/Oralutech PerioSafe, disponível na Europa. O PerioSafe detecta a MMP-8, uma enzima ligada à destruição do tecido da gengiva, permitindo medir a atividade inflamatória.

Os exames também podem identificar endotoxinas bacterianas, úteis para prever risco e acompanhar a resposta ao tratamento. “A saliva é tão poderosa que, por meio dela, é possível saber o que está acontecendo na boca e no organismo como um todo”, diz a especialista.

Não substitui o dentista

Os testes não trocam a avaliação clínica, mas ajudam a personalizar a prevenção e a frequência de cuidados.

Com resultados rápidos, o dentista pode ajustar condutas, como limpezas mais frequentes, uso de fio dental e enxaguantes indicados. Para o paciente, o processo é simples: coleta de saliva ou fluido gengival e análise do nível de inflamação.

Disponibilidade no Brasil

No Brasil, os testes moleculares específicos para doença periodontal ainda não estão liberados para uso clínico. Segundo Heller, há, porém, testes clínicos validados que podem ser aplicados no consultório e trazem resultados imediatos sobre o risco de inflamação. “Há testes clínicos validados feitos no consultório que oferecem resultados imediatos e estão diretamente relacionados ao risco de inflamação gengival”, afirma.

Ela destaca que pacientes com menor fluxo salivar tendem a acumular mais biofilme e, portanto, têm maior risco de desequilíbrio da flora bucal. “Com isso, o cirurgião-dentista consegue intervir de forma preventiva e individualizada, elevando o nível de cuidado oferecido”, conclui. Especialistas reforçam: manter higiene bucal diária e consultas regulares continua sendo a forma mais eficaz de proteger as gengivas.