Distúrbio na Voz

Distúrbios Vocais Afetam 80% dos Professores e Precarizam Qualidade do Ensino no País

Ambientes escolares inadequados e hábitos cotidianos elevam o risco de distúrbios vocais, afetando a saúde dos docentes e a qualidade do ensino

Por Redação Brazil Health , 03/09/2025

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Distúrbios Vocais Afetam 80% dos Professores e Precarizam Qualidade do Ensino no País

O retorno das aulas em agosto de 2025 reacende o alerta sobre um problema crônico enfrentado por professores brasileiros: a saúde vocal. Novos levantamentos apontam que até 80% dos docentes relatam sintomas ligados a distúrbios na voz, como rouquidão, fadiga e até perda momentânea de fala, enquanto cerca de 2% precisam ser afastados do trabalho por diagnósticos como disfonia.

O cenário é agravado por más condições em escolas, como salas barulhentas, acústica deficiente e sobrecarga de trabalho. Pesquisas recentes da Unifesp destacam que essas adversidades não são pontuais, mas motivos recorrentes de esforço excessivo das cordas vocais, levando ao surgimento de lesões, irritações, nódulos e pólipos. “O padrão vocal inadequado, associado ao esforço diário, pode causar inflamações importantes e provocar afastamento do professor”, explica a otorrinolaringologista Adriana Hachiya, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).

Segundo a especialista, um ambiente desfavorável perpetua o problema. Dados da UFMG mostram que um em cada três educadores já foi impedido de trabalhar normalmente por dificuldades vocais, sobretudo em centros urbanos, onde o ruído ambiental é mais intenso. A extensão dos impactos vai além da saúde, comprometendo o rendimento escolar dos alunos e aumentando o índice de licenças médicas prolongadas.

Fatores como uso constante de giz, exposição ao pó e jornadas semanais de até 60 horas agravam a situação. Outro estudo, esta da UNIMONTES, revela que professores fisicamente inativos têm 40% mais chance de desenvolver sintomas vocais, reforçando a importância de hábitos saudáveis para prevenção.

Dicas para preservar a voz

  • aquecimento e desaquecimento vocal antes e depois das aulas, seguindo orientação de fonoaudiólogos;
  • evitar o uso abusivo da voz, especialmente em ambientes barulhentos ou ao gritar;
  • hidratação adequada, ingerindo de 2 a 3 litros de água por dia e evitando exposição prolongada ao ar-condicionado;
  • eliminar hábitos prejudiciais, como fumo, uso de roupas apertadas no pescoço e refeições pesadas próximo ao horário das aulas;
  • melhorar o ambiente escolar, reduzindo ruídos, ventilando as salas e, se possível, utilizando microfones;
  • praticar atividade física regularmente para aumentar a resistência e reduzir sintomas vocais.

“Cuidar da voz é fundamental, não só para o bem-estar do professor, mas para garantir a continuidade do ensino de qualidade”, reforça Adriana Hachiya. Medidas preventivas e ambientes mais saudáveis são caminhos urgentes para minimizar afastamentos e preservar o principal patrimônio do educador: a própria voz.