Pacientes do SUS Cobram Reajuste Urgente nos Valores de Diálise para Garantir Atendimento
Defasagem no valor pago pelo SUS ameaça funcionamento de cerca de 840 clínicas privadas e coloca em risco a sobrevivência de milhares de brasileiros que dependem da terapia renal.
Por Redação Brazil Health , 02/09/2025
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A defasagem histórica no pagamento dos serviços de hemodiálise pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está comprometendo o atendimento de mais de 150 mil brasileiros que dependem do tratamento em todo o país. Representantes das clínicas privadas alertam que o valor pago pelo governo federal está 43% abaixo do custo real das sessões, agravando o endividamento das unidades e aumentando o tempo de espera para os pacientes mais vulneráveis.
Segundo estudo da Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o valor médio de cada sessão chega a R$ 343, enquanto a Tabela SUS remunera apenas R$ 240,97. “Em 27 anos, o valor pago por sessão aumentou apenas 160%, enquanto a inflação acumulada foi de 400%. É uma situação insustentável”, alerta Yussif Ali Mere Junior, presidente da ABCDT.
As clínicas, principalmente as de menor porte, operam no vermelho há anos. Muitas cidades não conseguem abrir novas unidades, e a fila de espera torna-se cada vez mais “silenciosa”. Dados da SBN apontam que ao menos 1.095 pacientes permaneciam internados em maio deste ano apenas aguardando uma vaga em clínicas de diálise. O número real pode ser ainda maior.
Para quem enfrenta esta espera, cada dia conta. Artur Faria da Costa, de 74 anos, passou dois meses internado aguardando uma vaga fixa: “Esperei internado, sem saber se conseguiria tratamento. Foi doloroso, uma espera cheia de medo”. Situação semelhante viveu Eliane Rodrigues Teixeira, de 61 anos, que aguardou 45 dias internada. “Minha mãe queria ir embora, mas não podia. Foi exaustivo para toda a família”, descreve Tatiane Teixeira, filha da paciente.
O custeio defasado ameaça não apenas a abertura de vagas, mas também investimentos em tecnologia, capacitação de equipes e a própria qualidade do atendimento. Quando se adicionam impostos, o custo médio por sessão pode chegar a R$ 393, ampliando a defasagem para 63%. Segundo a ABCDT, o setor perde R$ 1,6 bilhão ao ano somente pelo descompasso entre custos e repasses.
- deslocamentos longos de pacientes para buscar o tratamento em outras cidades
- superlotação de hospitais obrigados a ofertar diálise fora do ambiente ideal
- aumento de complicações e infecções evitáveis
- vazios assistenciais, principalmente em regiões Norte e Nordeste
Para pacientes jovens, como Carlos Henrique Pastorinho, de 31 anos, a diálise representa a única chance. “A diálise é dura, mas é o que me mantém vivo. Quero meu tempo de volta”, diz. Já Lívia Alessandra da Silva, de 35 anos, enxerga a máquina como salvação: “Foi um renascimento. Se eu não tivesse começado a hemodiálise naquele sábado, não estaria viva hoje. Então, para mim, a máquina é salvação – a cada sessão eu agradeço por ainda estar aqui”.
A ABCDT defende reajuste imediato e atualização anual dos valores pagos, além da adoção do estudo apresentado como base para negociações transparentes. “A diálise é um direito garantido pelo SUS. Sem reajuste, não há como garantir a continuidade, qualidade e equidade desse serviço essencial no Brasil”, conclui Yussif.