Diabetes

Diabetes tipo 2 avança entre jovens; mudanças de rotina e atenção básica são chave

País soma 16,6 milhões de adultos com a doença; CEJAM aposta em metas simples e rede integrada para prevenir e tratar

Por Redação Brazil Health , 25/11/2025

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Diabetes tipo 2 avança entre jovens; mudanças de rotina e atenção básica são chave

O diabetes tipo 2, antes mais comum após os 40 anos, vem crescendo entre adultos jovens no Brasil. Segundo a edição 2025 do Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes, 16,6 milhões de brasileiros entre 20 e 79 anos vivem com a doença, impulsionada por má alimentação, sedentarismo e noites mal dormidas.

Para a endocrinologista Patricia Zach, do Hospital Dia Campo Limpo (CEJAM), o estilo de vida atual favorece o avanço do problema: consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas, estresse crônico e sono de baixa qualidade abrem caminho para ganho de peso e resistência à insulina. “O resultado é o que chamamos de ambiente obesogênico, que torna mais difícil adotar hábitos saudáveis mesmo para quem tem conhecimento e motivação”, afirma.

Ela destaca também fatores sociais, como a falta de espaços seguros para atividade física, o acesso limitado a alimentos frescos e as desigualdades, que agravam o cenário nas áreas mais vulneráveis.

Outro obstáculo é o diagnóstico tardio. O diabetes pode evoluir em silêncio por anos e ser descoberto apenas após complicações nos rins, nos olhos ou no coração, o que aumenta o risco de internações e custos ao sistema de saúde.

Pequenas metas, grandes resultados

Nos casos identificados precocemente, a mudança de rotina é decisiva. Zach recomenda metas simples e constantes: caminhar após as refeições, reduzir bebidas açucaradas, montar pratos com vegetais, proteínas magras e carboidratos integrais, além de dormir bem, se exercitar e manter consultas regulares. “O essencial é ter acompanhamento e metas alcançáveis. Pequenas mudanças sustentadas ao longo do tempo são mais eficazes do que tentativas drásticas e curtas”, diz.

Apesar de novas tecnologias, como sensores de glicose e remédios com benefício cardíaco e renal, a médica reforça que educação em saúde e suporte contínuo seguem no centro do cuidado. “Políticas que favoreçam o consumo de alimentos in natura, a prática de exercícios e a redução de ultraprocessados são decisivas para mudar o quadro atual”, completa.

Atenção primária coordena o cuidado

Na rede pública, o CEJAM e a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo estruturaram a Linha de Cuidado de Diabetes para agilizar a identificação, orientar o tratamento e garantir continuidade do acompanhamento. “Nosso objetivo é garantir um cuidado coordenado, com atendimento periódico e acesso facilitado a exames, medicamentos e orientações de autocuidado”, afirma Luciana Carvalho, gerente da UBS Parque do Engenho II.

O modelo integra prontuário eletrônico com alertas, monitoramento dos pacientes e atuação conjunta de médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e educadores físicos. As unidades também promovem ações comunitárias, como oficinas culinárias, grupos de caminhada e atendimento itinerante por meio do projeto UBS na Rua.

Prevenção desde a infância

Para reforçar resultados a longo prazo, a Linha foi ampliada em 2025 para todas as faixas etárias, com foco na prevenção entre crianças e adolescentes. Ferramentas como o Projeto Terapêutico Singular e o Plano de Autocuidado Pactuado ajudam cada pessoa a definir metas realistas e a acompanhar sua evolução. “Quando o paciente compreende seu papel e vê o progresso ao longo do tempo, a adesão aumenta”, explica Luciana.

Segundo ela, o objetivo é ampliar o alcance das ações e reduzir complicações e internações associadas ao diabetes. “Mais do que uma linha de cuidado, é uma linha de vida. Envolve profissionais, comunidade e poder público atuando juntos para transformar a forma como cuidamos da nossa saúde”, resume.