Diabetes

Diabetes nas festas: dicas para curtir sem descontrolar a glicose

Especialistas explicam como lidar com álcool, sobremesas e picos glicêmicos sem abrir mão da comemoração.

Por Redação Brazil Health , 17/12/2025

3 min de leitura

Diabetes nas festas: dicas para curtir sem descontrolar a glicose

Ceias fartas, doces variados e longas horas beliscando colocam à prova o controle do diabetes em festas e confraternizações. Endocrinologistas alertam que a combinação de açúcar, álcool e picos repetidos de glicose pode levar a descompensações, tanto para cima quanto para baixo.

Para o endocrinologista Fadlo Fraige Filho, presidente da ANAD, o risco mora no exagero. “A festa não é o problema; o excesso é”, resume. Segundo ele, dá para comemorar com escolhas conscientes, privilegiando um prato centrado em proteínas, legumes e saladas.

A endocrinologista Tassiane Alvarenga, da SBEM, reforça que o organismo de quem tem diabetes lida pior com oscilações bruscas. “Oscilações intensas de glicose são mais difíceis de compensar”, explica, especialmente quando há excesso de carboidratos simples somado ao álcool e aos beliscos ao longo do dia.

Álcool pede cautela

Além do impacto imediato na glicose, o álcool interfere na liberação de glicose pelo fígado e pode causar queda horas depois. “O álcool pode derrubar a glicose tardiamente, sobretudo em quem usa insulina ou remédios que estimulam a secreção de insulina”, alerta Tassiane.

Nem toda bebida tem o mesmo efeito. Fraige orienta evitar licores, vinhos doces e drinks açucarados. Vinho tinto seco, consumido com moderação nas refeições, costuma ser opção mais segura. Já a cerveja é fonte de carboidrato e tende a elevar a glicemia. “Bebidas adocicadas devem ser evitadas”, diz.

Sobremesa sem susto

Doces tradicionais concentram grandes cargas de açúcar em pouco volume. Quando a sobremesa vem após um prato rico em carboidrato, o pico glicêmico é mais provável. “Sobremesa depois de um prato pesado em carboidratos favorece o pico”, afirma Tassiane.

Estratégias simples ajudam: priorize proteínas no prato, evite repetições e reduza as porções. Na hora do doce, frutas são a melhor aposta. “Frutas e oleaginosas, como nozes e castanhas, são escolhas mais seguras — sempre com moderação”, recomenda Fraige.

Sinais de alerta e o que fazer

Mesmo com planejamento, exageros podem acontecer. Reconhecer os sinais e agir rápido faz diferença.

Principais sintomas de hipoglicemia (glicose baixa):

  • Tremores e suor frio
  • Tontura ou confusão
  • Palpitações
  • Sonolência
  • Desmaio em casos graves

Principais sintomas de hiperglicemia (glicose alta):

  • Sede intensa e boca seca
  • Urinar mais vezes
  • Cansaço extremo
  • Mal-estar geral

“Tenha sempre o glicosímetro e uma fonte rápida de glicose”, orienta Fraige para lidar com quedas. Já diante de glicose alta, hidratação, monitorização e avaliação médica, quando necessário, são fundamentais.

O consenso dos especialistas é claro: não interrompa o tratamento. “Não suspenda medicamentos nem insulina e respeite o plano prescrito”, reforça Fraige.

Com equilíbrio, dá para celebrar sem sustos. “É possível aproveitar com prazer; o que protege é a estratégia: comer com atenção, beber com moderação e monitorar a glicemia”, conclui Tassiane.