Dezembro Vermelho

Dezembro Vermelho: Brasil avança no combate à AIDS, mas desigualdades persistem

SPI vê queda nas mortes e defende expansão da prevenção com pílula, injeção bimestral e antibiótico pós-sexo

Por Redação Brazil Health , 02/12/2025

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Dezembro Vermelho: Brasil avança no combate à AIDS, mas desigualdades persistem

No Dezembro Vermelho, a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) destaca avanços e desafios no combate ao HIV no país. Segundo o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2024, o Brasil superou a meta global de diagnóstico, com 96% das pessoas vivendo com HIV já identificadas. A mortalidade caiu para 3,9 óbitos por 100 mil habitantes, o menor índice desde 2013, mas ainda foram registradas 10.338 mortes por AIDS em 2023.

“Este é um momento fundamental para reforçar a prevenção, valorizar a inovação e combater o estigma”, afirma o diretor da SPI, Álvaro Furtado Costa. Ele lembra que o Dia Mundial de Luta contra a AIDS, em 1º de dezembro, marca o início de ações de conscientização em todo o país.

Em 2023, foram 46.495 novos casos de HIV, alta de 4,5% em relação ao ano anterior, e 38 mil diagnósticos de AIDS. Entre os novos casos, 70,7% ocorreram em homens. Pessoas pretas e pardas concentraram 63,2% das notificações. Jovens seguem no centro da epidemia: 23,2% têm entre 15 e 24 anos e 34,9% entre 25 e 34 anos.

No tratamento, o cenário é positivo: 82% dos diagnosticados usam terapia e, entre eles, 95% alcançaram a chamada supressão viral — quando o vírus fica indetectável e não é transmitido por via sexual. O desafio é sustentar esses resultados e ampliá-los para todos os públicos.

Avanços no tratamento

A SPI destaca a chegada de esquemas mais modernos, como a combinação que reúne três medicamentos em um único comprimido diário, com alta eficácia e menor impacto nos rins e nos ossos. Para casos raros de falha terapêutica, há ainda uma opção voltada a vírus multirresistentes, ampliando as chances de controle da infecção.

Segundo a entidade, a adoção ampla dessas terapias no SUS exige avaliação técnica, análise de custo e foco em equidade, para que pacientes de diferentes regiões tenham acesso às mesmas possibilidades de cuidado.

Prevenção: pílula, injeção e antibiótico pós-sexo

A pílula preventiva contra o HIV (PrEP) mais que dobrou de alcance entre 2022 e 2024, passando de 50,7 mil para cerca de 109 mil usuários. Ainda assim, o acesso é desigual: faltam serviços em cidades pequenas, horários ampliados e ações voltadas a jovens, mulheres cis, mulheres trans e população negra periférica.

Para a SPI, é prioridade descentralizar a PrEP, capacitar equipes da atenção primária e usar ferramentas digitais para adesão e acompanhamento. “Prevenir é tão importante quanto tratar e precisa chegar a quem mais precisa”, reforça Costa.

A injeção bimestral de prevenção (com cabotegravir) surge como alternativa para quem tem dificuldade em tomar comprimidos todos os dias, com eficácia muito alta em estudos. A entidade defende incorporação planejada e distribuição justa, com foco especial em jovens e mulheres cis.

Outro tema em debate é o uso de antibiótico após o sexo para reduzir sífilis e clamídia (DoxyPEP). Ensaios internacionais mostram queda nessas infecções em populações-chave, mas a SPI pede discussão baseada em evidências, vigilância de resistência e protocolos claros antes de adoção ampla.

Desigualdades e próximos passos

Apesar dos bons indicadores, os números mostram que a epidemia ainda se concentra em grupos vulneráveis e em regiões com menos oferta de serviços. A SPI defende integração entre prevenção, testagem e tratamento, com metas específicas por território.

“A luta contra a AIDS é médica, social e política. Precisamos manter o foco na inovação, na equidade e na solidariedade”, diz Costa. Para a entidade, o Dezembro Vermelho é um chamado à ação contínua, para que os avanços cheguem a todos e novas infecções sigam em queda no Brasil.