Desempenho acadêmico

TDAH desafia desempenho de universitários e exige diagnóstico preciso

Por Redação Brazil Health , 09/02/2026

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TDAH desafia desempenho de universitários e exige diagnóstico preciso

Exigências acadêmicas podem tornar sintomas mais visíveis; diagnóstico é clínico e tratamento combina estratégias comportamentais e, quando indicado, medicação.

A rotina universitária impõe prazos extensos, leituras complexas, múltiplas disciplinas e gestão independente do tempo. Nesse contexto, dificuldades relacionadas à atenção, organização e controle da impulsividade tendem a se intensificar em estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. A ausência de diagnóstico e acompanhamento adequados pode comprometer o rendimento acadêmico, a organização da rotina e a saúde mental.

De acordo com Gianny Cesconetto, pediatra, psicoterapeuta e professora da Inspirali, o transtorno tem início na infância e pode persistir na vida adulta. No ambiente universitário, a retirada de estruturas externas de apoio e o acúmulo de responsabilidades tornam mais visíveis dificuldades que antes podiam estar parcialmente compensadas.

Sintomas ganham evidência no ambiente acadêmico

Entre as manifestações mais frequentes estão dificuldade de concentração em aulas e leituras prolongadas, perda de prazos, desorganização, dificuldade para concluir tarefas e sensação constante de inquietação mental. Também são relatados impulsividade em decisões acadêmicas, queda na autoestima e prejuízos nas relações interpessoais. Esses sinais muitas vezes são interpretados como desinteresse ou falta de disciplina, embora estejam associados a alterações no funcionamento executivo.

Estudos nacionais e internacionais apontam ampla variação na prevalência de TDAH entre universitários, influenciada pelos critérios diagnósticos e pelos métodos de avaliação utilizados. As diferenças reforçam a necessidade de investigação individualizada e criteriosa.

Diagnóstico clínico e tratamento estruturado

O diagnóstico é essencialmente clínico e exige avaliação detalhada da história do paciente, incluindo a presença de sintomas desde a infância e prejuízo funcional significativo. Questionários podem auxiliar na triagem, mas não substituem a entrevista clínica. A distinção entre dificuldades pontuais de adaptação e um transtorno do neurodesenvolvimento é etapa fundamental do processo diagnóstico.

O tratamento é individualizado e combina diferentes abordagens. Entre as estratégias mais utilizadas estão:

• psicoeducação• técnicas de organização e manejo do tempo• Terapia Cognitivo Comportamental• medicação, quando indicada e prescrita por profissional habilitado

Embora não exista cura, o acompanhamento adequado permite controle eficaz dos sintomas e melhora significativa do desempenho acadêmico e da qualidade de vida.

O acesso ao tratamento no Brasil depende da rede de atenção disponível em cada região, o que pode influenciar o tempo até o cuidado especializado. Especialistas destacam que o suporte familiar e institucional é determinante para reduzir barreiras e favorecer a permanência estudantil. Ambientes acadêmicos que reconhecem as necessidades específicas desses estudantes contribuem para trajetórias mais estáveis e saudáveis no ensino superior.