Ginecologia e Obstetrícia

Queda de cabelo: marketing nas redes pode levar a tratamentos perigosos, alerta tricologista

Promessas de resultado rápido e uso de termos “da moda” podem esconder procedimentos sem comprovação e até risco de infecção, segundo especialista.

Por Redação Brazil Health , 22/06/2026

4 min de leitura

Queda de cabelo: marketing nas redes pode levar a tratamentos perigosos, alerta tricologista

A preocupação com falhas no couro cabeludo, fios afinando ou o aumento repentino da queda costuma gerar ansiedade e pressa por uma solução. Nesse cenário, a busca por tratamentos capilares em redes sociais pode se transformar em um atalho perigoso, especialmente quando a escolha é guiada por promessas de “cura” rápida e por perfis com muitos seguidores.

O médico e tricologista Luciano Barsanti, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia, afirma que a combinação de desespero e propaganda agressiva tem levado muita gente a se expor a procedimentos sem respaldo e, em alguns casos, com consequências graves. “Esse medo da calvície faz o paciente se agarrar a soluções milagrosas e isso costuma ser o começo do problema”, alerta.

Além do apelo emocional, cresce o uso de recursos que podem induzir ao erro, como imagens geradas ou alteradas por aplicativos. Para quem já está inseguro, comparações e “antes e depois” chamativos acabam pesando mais do que critérios de segurança e evidência científica.

Termos difíceis e “protocolos” sem comprovação

Outra estratégia comum é rechear anúncios com siglas e nomes técnicos para dar aparência de alta tecnologia. Barsanti destaca que expressões como PRP, lipossomos, exossomos, microagulhamento, mesoterapia capilar e “células-tronco”, entre outras, muitas vezes aparecem associadas a protocolos que não têm resultados clínicos documentados ou não são regulamentados por órgãos competentes.

O risco aumenta quando procedimentos invasivos são realizados por profissionais não habilitados. “Além de não haver comprovação, há situações em que o paciente vira uma espécie de cobaia”, afirma o especialista, ao mencionar que alguns desses produtos e técnicas ainda estariam em fases iniciais de testes.

Na avaliação do médico, o problema ganhou força no pós-pandemia. Ele relata ter observado “um crescimento de 82% no número de complicações graves no couro cabeludo” ligadas a procedimentos não avalizados e/ou realizados por pessoas sem habilitação adequada.

Entre as complicações mais frequentes, segundo Barsanti, estão infecções após intervenções com agulhas e aplicações no couro cabeludo, como rolinhos, injeções e mesoterapia com vitaminas e preparados de origem desconhecida. O impacto pode ser permanente: “Essas infecções podem levar à lesão definitiva dos folículos capilares, sem chance de recuperação”, alerta.

O especialista também chama atenção para o risco de contaminação cruzada em práticas associadas ao PRP (plasma rico em plaquetas). “O paciente pode ser contaminado por vírus como HIV e hepatite B, além de infecções bacterianas”, afirma.

Por outro lado, ele destaca que há caminhos mais seguros dentro da medicina tricóloga. “Hoje é possível obter resultados cosmeticamente satisfatórios de formas não invasivas, sem agulhas, sangramentos, dor ou injeções”, explica.

Como se proteger ao buscar tratamento

Ao notar sinais de queda fora do padrão, como excesso de fios pela casa, no pente, na escova, no travesseiro ou no ralo do chuveiro, a recomendação é procurar avaliação médica antes de qualquer procedimento. Barsanti orienta que a escolha não deve se basear em popularidade nas redes nem em imagens de resultados, que podem ser manipuladas.

  • Desconfie de promessas de resultado imediato e de “soluções milagrosas”.
  • Evite procedimentos invasivos, especialmente os feitos fora de ambiente médico adequado.
  • Busque referências reais com familiares, amigos ou pacientes que já passaram por atendimento.
  • Implante capilar: considerar apenas como última alternativa, após avaliação.

O ponto central, reforça o especialista, é priorizar segurança e diagnóstico correto antes de qualquer intervenção. “A orientação mais segura é fugir de procedimentos invasivos”, destaca Barsanti.